Segunda, 16 de fevereiro de 2026

O preço das decisões de Campos Neto no caso do Banco Master

O preço das decisões de Campos Neto no caso do Banco Master
Blog do PCO

A condução de Roberto Campos Neto no episódio do Banco Master revela o custo político e técnico de priorizar soluções de mercado diante de sinais claros de fragilidade. Sob sua presidência, o Banco Central (BC) acompanhou de perto a situação em 2024, que incluía um cronograma pesado de pagamentos e baixo volume de ativos líquidos.

Campos Neto, entretanto, optou por evitar a intervenção e apostou na possibilidade de separar ativos bons e ruins, reduzindo o impacto para o sistema e para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O problema é que, nesse período, o Master já havia frustrado a captação prevista de R$ 15 bilhões, obtendo apenas R$ 2 bilhões, e acumulava irregularidades, identificadas pelo BC.

A liquidação foi finalmente decidida apenas na gestão de Gabriel Galípolo, a partir de 2025, quando o banco, que saltou de R$ 3,7 bilhões em ativos em 2019 para R$ 82 bilhões em 2024, já não conseguia rolar dívidas nem recolher compulsório. O ambiente deteriorado evidencia os limites da estratégia adotada por Campos Neto e expõe como a agenda de estímulo a bancos médios e pequenos enfrentou restrições da supervisão quando o crescimento acelerado começou a conviver com riscos estruturais.

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