O futuro da mineração no Brasil deve ser planejado de forma colaborativa entre municípios, estados, empresas e o governo federal. Essa foi uma das principais afirmações de Marco Antônio Lage, presidente da AMIG Brasil e prefeito de Itabira, em entrevista ao portal DeFato Online durante a Exposibram 2026, realizada em Belo Horizonte.
No evento, Lage mediu um painel sobre “As Iniciativas Estaduais para Planos de Desenvolvimento Regional”, que contou com a participação de representantes dos governos de Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Ele destacou que o momento atual sinaliza uma nova abordagem no setor mineral, com um foco maior no planejamento a longo prazo e nos impactos da atividade mineradora nas comunidades.
“É interessante notar que a discussão sobre uma mineração mais sustentável e responsável já permeia as falas de líderes empresariais e políticos”, comentou o prefeito.
A AMIG, conforme enfatizado por Lage, visa levar a voz dos municípios à esfera nacional, especialmente em relação às consequências da exploração mineral sobre os territórios.
Itabira como modelo para o futuro
Itabira é um exemplo ímpar na análise feita por Lage, devido à sua longa história na mineração, especialmente com a Vale. Ele acredita que a experiência de Itabira deve servir de referência para outras regiões que receberão novos projetos minerais, considerando a crescente demanda por minerais críticos e terras raras.
“Itabira não deve repetir os erros do passado. Devemos aprender com essa experiência e transformar o fechamento das minas em oportunidades de revitalização econômica”, afirmou Lage.
Ele mencionou o programa Itabira Sustentável, desenvolvido em parceria com a Vale e a sociedade civil, como um caminho para o planejamento futuro. Em suas palavras, “é preciso reinventar Itabira, o que deve ser contemplado no planejamento estratégico das regiões mineradoras e estados”.
Demandas por mudanças estruturais
Apesar das inovações e tecnologias discutidas, Lage ressalta que o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) é crucial. Ele critica a estrutura atual da ANM e alega que ela é insuficiente para lidar com as questões do setor, como a mineração clandestina.
A atualização do Código Minerário Brasileiro também é fundamental, tendo em vista que a legislação vigente é de 1967. Isso é essencial para que o Brasil formule estratégias para as próximas décadas.
O debate sobre a distribuição das receitas da mineração, incluindo a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), reforma tributária e a Lei Kandir, é outra questão que precisa ser abordada. Lage defende um realinhamento na CFEM para compensar os municípios mineradores com menor população, garantindo que a riqueza gerada permaneça nos locais de exploração.
Segundo Lage, o objetivo final é que a mineração não só gere lucros para acionistas, mas que beneficie a sociedade como um todo. “Devemos estabelecer um Brasil mineral robusto e responsável, que traga benefícios para todos os cidadãos”, concluiu.
























