O cenário econômico apresenta uma mudança significativa, já que pela primeira vez desde 2024, o mercado começou a antever a inflação em 2026 abaixo de 4%. O Boletim Focus, sob a supervisão de Gabriel Galípolo, revelou um IPCA de 3,99%, marcando a quarta redução consecutiva.
Contudo, essa melhora não é fruto de medidas internas, mas sim do impacto positivo do cenário externo. O dólar se encontra mais fraco globalmente e o câmbio doméstico está mais controlado, o que contrasta com a insistência do governo em complicar as contas públicas. Assim, o alívio externo permite uma neutralização temporária do ceticismo em relação à situação fiscal do país e às tensões políticas que permeiam o cenário interno.
O impacto positivo ocorre não por questões internas, mas devido a fatores externos. A conjuntura atual conta ainda com juros mantidos em níveis altos e a expectativa de novas safras recordes, o que resulta em alimentos mais acessíveis e a queda nos preços de insumos, promovendo uma atmosfera otimista a curto prazo. No entanto, a desinflação que observamos é sustentada por raízes firmemente plantadas no campo e por um aperto na política monetária.
Porém, é preciso manter um olhar crítico. O mercado de trabalho, por exemplo, continua resiliente e os gastos públicos elevados permanecem como um risco latente. Portanto, apesar de um cenário que parece mais promissor, as fragilidades persistem. O auxílio do vento externo é inegável, mas resta saber se o governo tomará as decisões corretas no momento certo para não prejudicar essa recuperação.
























