Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (15) a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 22 de julho. A decisão foi comunicada pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) e é a primeira medida de uma nova estratégia tarifária do governo Trump, que também poderá afetar outras nações.
A tarifa se baseia em investigações sobre práticas comerciais desleais, conforme descrito na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
A USTR já iniciou pelo menos 80 investigações comerciais, e novas tarifas podem ser aplicadas a países como China, União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul e México.
Essas novas tarifas são consequência de uma proposta feita pelo governo Trump em junho, que argumentou que as práticas brasileiras, incluindo comércio digital e desmatamento ilegal, eram desleais.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Grerr, afirmou: “As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir as negociações para mudanças necessárias”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão e declarou que não possui qualquer justificativa. Em postagem recente, Lula afirmou que o Brasil tomará medidas conforme a Lei de Reciprocidade, que foi aprovada pela totalidade do Congresso Nacional, e levará a questão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.
O governo brasileiro relata que houve mais de 30 contatos entre autoridades desde a proposta original de tarifas, incluindo 11 reuniões entre Grerr e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Lula acusou Rubio de ser anti-América Latina, enquanto Rubio afirmou que o governo de Lula não esteve disposto a negociar de boa-fé. “O Brasil colocou seu próprio ego à frente de um acordo que beneficiaria o povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a ser pago por isso”, declarou Rubio.
As tarifas impactarão uma variedade de produtos brasileiros, que vão desde açúcar e maquinário agrícola até vestuário e produtos elétricos. Contudo, isenções serão concedidas a alguns itens, incluindo carne bovina, café, e produtos energéticos.
A investigação iniciada em julho de 2025 destacou práticas desleais ligadas ao desmatamento ilegal e também ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, que, segundo alegações do governo Trump, prejudica os cartões de crédito americanos.
O Brasil refutou essas alegações e foi incluído em outra investigação que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total para 37,5% dos produtos brasileiros.
Os EUA alertaram que reações do Brasil que aumentem restrições comerciais contra eles, como imposição de tarifas, podem levar a mais consequências.
“Ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA podem indicar que a ação dos EUA atual não é suficiente para eliminar práticas desleais”.
Fonte: UOL
























