Sexta, 06 de fevereiro de 2026

Entidades de Minas Gerais reagem à manutenção da Selic em 15%: riscos à economia

Entidades de Minas Gerais reagem à manutenção da Selic em 15%: riscos à economia
Foto: Fiemg /Divulgação

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou reações adversas em Minas Gerais. Entidades da indústria e do comércio manifestam preocupações sobre como juros elevados impactam negativamente a economia.

Representantes desses setores afirmam que a política monetária restritiva torna o crédito mais caro e reduz os investimentos, ameaçando a geração de empregos e renda no estado.

FIEMG vê risco de enfraquecimento da atividade econômica

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) destaca que a manutenção da Selic pode prolongar os efeitos adversos já observados na economia. A entidade afirma que juros altos restringem os investimentos produtivos e elevam os custos de produção.

A FIEMG também alerta que essa política compromete a competitividade da indústria mineira e brasileira, o que preocupa empresários do setor. Embora a federação reconheça a importância do controle da inflação, chama a atenção para os efeitos negativos que juros elevados por longos períodos podem causar.

“É necessária uma política monetária mais equilibrada que concilie o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico”, afirma o presidente da FIEMG, Flavio Roscoe.

CDL/BH critica a asfixia no comércio

No comércio e no setor de serviços, a expressão de insatisfação é clara. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) descreve a atual situação como um período de “asfixia”, resultante do aumento nos custos do crédito, o que afeta tanto o consumo quanto os investimentos empresariais.

De acordo com a CDL/BH, mesmo com sinais de aquecimento na atividade econômica, investimentos de médio e longo prazo permanecem contidos, essenciais para sustentar o mercado de trabalho e a geração de renda.

“A incerteza fiscal, interna e externa, agrava esse cenário. Esperávamos uma nova postura do Banco Central, o que não ocorreu”, lamenta o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

Impactos nos setores de bens duráveis e serviços

Os segmentos que produzem bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos, são os mais impactados, com queda nas vendas devido à dificuldade de financiamento. Por outro lado, o setor de serviços enfrenta uma desaceleração gradual.

Embora a renda do trabalho mantenha o consumo básico, serviços de maior valor agregado estão encontrando obstáculos. Investimentos em tecnologia e reformas têm ficado estagnados.

“Manter os juros em 15% por muito tempo aumenta o risco de recessão no varejo”, avalia Marcelo de Souza e Silva, observando que o dinamismo do setor pode se perder com o tempo.

Pressão por uma revisão da política monetária

Tanto a FIEMG quanto a CDL/BH reforçam a necessidade de reavaliar a política monetária. A manutenção prolongada da taxa de juros elevada pode comprometer o crescimento econômico e oferecer riscos à competitividade e sustentabilidade do mercado de trabalho em Minas Gerais.

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