Domingo, 18 de janeiro de 2026

Corte de Incentivos Fiscais: Como o Congresso Aprova Medidas Cruciais para 2026

Corte de Incentivos Fiscais: Como o Congresso Aprova Medidas Cruciais para 2026
© Antônio Cruz/Agência Brasil

O corte de incentivos fiscais foi a principal aposta do governo para equilibrar o Orçamento de 2026 e foi aprovado recentemente pelo Congresso Nacional. Este corte pode elevar a arrecadação em aproximadamente R$ 22,4 bilhões no próximo ano e inclui um aumento dos tributos sobre empresas de apostas on-line, fintechs e grandes empresas que remuneram sócios por meio de juros sobre capital próprio (JCP).

A proposta foi aprovada na madrugada da última quarta-feira (17) pela Câmara dos Deputados e na mesma noite pelo Senado, seguindo agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou a importância do projeto e seus impactos na necessidade de evitar um corte de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2026.

O que o projeto propõe?

O projeto prevê uma redução de 10% nos incentivos e benefícios fiscais federais, além de um aumento nos tributos sobre:

  • Casas de apostas esportivas on-line;
  • Fintechs e instituições financeiras;
  • Juros sobre capital próprio (JCP).

Novas regras de controle, transparência e limites para a concessão de benefícios tributários no país também são estabelecidas.

Tributos com redução de benefícios

A redução de 10% abrange incentivos associados a tributos federais como:

  • Programa de Integração Social (PIS) e Pasep;
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  • Imposto de Importação;
  • Contribuição previdenciária patronal.

Setores afetados

Os principais benefícios a serem reduzidos incluem:

  • Regime Especial da Indústria Química;
  • Créditos presumidos de IPI para exportadores;
  • Créditos presumidos de PIS/Cofins para setores como farmacêutico e agropecuário;
  • Alíquota zero de PIS/Cofins para importadores de fertilizantes.

No lucro presumido, o texto permite aumentar em 10% a base de cálculo do imposto sobre receitas brutas anuais que excedam R$ 5 milhões.

Exceções à redução

A redução não se aplica a:

  • Imunidades constitucionais;
  • Zona Franca de Manaus e áreas de livre comércio;
  • Produtos da cesta básica;
  • Entidades filantrópicas;
  • Empresas do Simples Nacional.

Mudanças para as apostas on-line

A tributação sobre casas de apostas aumentará gradualmente de 12% para:

  • 13% em 2026;
  • 14% em 2027;
  • 15% em 2028.

Metade da nova arrecadação será destinada à seguridade social e outra metade a ações de saúde.

Alterações para fintechs

A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das fintechs aumentará de 15% para:

  • 17,5% até 2027;
  • 20% a partir de 2028.

JCP e limites para benefícios

O Imposto de Renda na fonte sobre JCP subirá de 15% para 17,5%. Além disso, se os incentivos tributários ultrapassarem 2% do Produto Interno Bruto (PIB), novas concessões de benefícios serão proibidas, a menos que medidas compensatórias sejam apresentadas.

O projeto também prevê a revalidação de despesas que não foram pagas desde 2023, com um impacto estimado de R$ 3 bilhões nos cofres públicos.

Quando as mudanças entram em vigor?

A maioria das medidas começará a valer em 1º de janeiro de 2026, com as alterações de tributos respeitando um prazo de noventena de 90 dias após a sanção presidencial.

*Informações das Agências Câmara e Senado

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