Sábado, 14 de março de 2026

Correios planejam fechar mil agências e promover demissões

Correios planejam fechar mil agências e promover demissões
Presidente dos Correios, Emmanoel Rondon – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Com a meta de mitigar os déficits financeiros desde 2022, os Correios anunciaram um plano de reestruturação na última segunda-feira (29), prevendo o fechamento de 16% das suas agências, o que equivale a cerca de mil unidades das 6 mil existentes no Brasil.

A estatal espera economizar R$ 2,1 bilhões em decorrência do fechamento das agências. Considerando os pontos de atendimento por meio de parcerias, há um total de 10 mil unidades oferecendo serviços dos Correios. O presidente da empresa, Emmanoel Rondon, ressaltou que essa redução não irá comprometer a universalização do serviço postal.

“Faremos a ponderação entre o resultado financeiro e o cumprimento da universalização, para não ferir a cobertura do nosso serviço ao fecharmos pontos de venda”, afirmou o presidente em uma coletiva de imprensa realizada em Brasília (DF).

Demissão Voluntária

Além dos fechamentos, o plano inclui cortes de despesa de R$ 5 bilhões até 2028, envolvendo a venda de imóveis e a implementação de dois planos de demissão voluntária (PDVs), que visam reduzir o quadro de funcionários em 15 mil até 2027.

“Cerca de 90% das nossas despesas são fixas, criando rigidez para ajustes quando o mercado exige”, destacou Rondon.

Dificuldades Financeiras

Os Correios enfrentam uma série de resultados negativos desde 2022, acumulando um déficit estrutural de R$ 4 bilhões anuais devido à obrigação de atender a universalização exigida para seus serviços. Em 2025, a empresa reportou um saldo negativo de R$ 6 bilhões nos primeiros nove meses e conta com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.

Empréstimo e Mudanças Estruturais

Recentemente, a estatal anunciou a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões para reforçar seu caixa, com outra necessidade de R$ 8 bilhões a ser encontrada para equilibrar as contas em 2026. A partir de 2027, os Correios consideram mudar sua estrutura, avaliando a possibilidade de abrir seu capital para se tornar uma companhia de capital misto.

Cortes e Benefícios

O plano de reestruturação inclui implementações programadas para os anos de 2026 e 2027, além dos PDVs, que ocorrerão um em 2026 e outro em 2027. Estão previstos também cortes nos planos de saúde e previdência dos funcionários, como método de reduzir custos.

“O plano de saúde deve ser totalmente revisado, pois atualmente representa um ônus significativo para a empresa, embora ofereça uma boa cobertura ao empregado”, justificou Rondon.

A expectativa é que as demissões voluntárias e os cortes nos benefícios resultem em uma economia de R$ 2,1 bilhões anuais, além dos R$ 1,5 bilhão esperados com a venda de imóveis.

“Esse plano vai além da recuperação financeira, reafirmando os Correios como um ativo estratégico fundamental para o estado brasileiro, garantindo igualdade no acesso aos serviços logísticos”, finalizou Rondon.

Crise no Setor Postal

Desde 2016, a estatal enfrenta uma crise financeira impulsionada por mudanças no mercado postal e pela digitalização, que substituiu a tradicional correspondência, reduzindo suas principais fontes de receita. Além disso, a entrada de novos concorrentes no setor de comércio eletrônico tem agravado a situação.

“É uma dinâmica de mercado global e algumas empresas de correios se adaptaram, ainda assim, registram prejuízos, como o caso do USPS, que anunciou perdas de US$ 9 bilhões”, comparou Rondon.

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