O recente pacote fiscal apresentado pelo governo na última semana é um passo significativo, mas ainda insuficiente para equilibrar as contas públicas, segundo o economista e professor Felipe Salto. O principal mérito desse pacote, segundo Salto, reside na retomada da discussão sobre gastos tributários. No entanto, o que falta é um compromisso claro com cortes nas despesas públicas.
O Congresso, atuando como protagonista no que é chamado de “parlamentarismo branco”, exige benefícios sem assumir responsabilidades e deu ao Ministério da Fazenda um ultimato de 10 dias, sem abrir mão de emendas do orçamento secreto. Salto alerta que, se a situação não for abordada adequadamente, o Brasil corre um risco real de colapso administrativo em 2025, com consequências que incluem a paralisação da máquina pública, aumento dos juros e possível naufrágio na meta fiscal.
Medidas como o aumento da CSLL e ajustes no IOF são vistas como úteis, mas seus efeitos são limitados no tempo e alcance, com a maioria das mudanças tendo impacto somente a partir de 2026. O que se observa é que as propostas atuais representam o mínimo necessário – e este mínimo já está sob risco. A arte da política, como diz Salto, é encontrar o que é possível, mas a omissão do governo é o caminho certo para o desastre.























