Sábado, 18 de abril de 2026

Brasil e Angola: A Nova Face do Comércio além do Petróleo e Agro

Brasil e Angola: A Nova Face do Comércio além do Petróleo e Agro
Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR

O governo brasileiro está promovendo uma reatividade com Angola, visando uma diversificação das trocas comerciais que vai além dos setores tradicionais, como petróleo e agropecuária. A relação comercial entre os dois países teve uma queda significativa desde 2015, em grande parte devido ao impacto da Operação Lava Jato, à competitividade do mercado chinês e a crises econômicas.

Historicamente, a conexão entre Brasil e Angola remonta ao tráfico de trabalhadores escravizados, sendo Angola a maior fonte de mão de obra escrava do Brasil. Hoje, com aproximadamente 36 milhões de habitantes, Angola abriga a maior comunidade de brasileiros vivendo na África, com cerca de 30 mil pessoas.

Na sua primeira visita a África após assumir a presidência, em agosto de 2023, Luiz Inácio Lula da Silva foi a Luanda com o objetivo de estreitar as relações comerciais. “Começamos por um país que sempre foi nossa maior ponte com esse continente irmão. Nos últimos anos, o Brasil tratou os países africanos com indiferença. Vamos corrigir esses erros e alçar nossa parceria estratégica a um novo patamar”, declarou Lula.

Durante essa visita, foram assinados acordos de cooperação em áreas como turismo, educação, saúde, agricultura e exportação. Além disso, o presidente Lula inaugurou a galeria escrita Ovídio de Andrade Melo, situada em Luanda, destinada a promover as artes e cultura brasileira e angolana.

A reaproximação do Brasil com Angola também foi evidente com a inauguração do Consulado-Geral do Brasil em Luanda.

Em maio de 2025, o presidente João Lourenço de Angola fez uma visita a Brasília, coincidentemente marcada pelos 50 anos de independência de Angola. Na ocasião, acordos nas áreas de defesa e segurança foram anunciou, além de planos de restauração da frota angolana de aeronaves Super Tucano pelo Brasil.

Especialistas em relações internacionais, como o professor Gilberto da Silva Guizelin, destacam a importância da reaproximação: “Nos últimos anos, houve um congelamento nas relações Brasil-Angola. Com a volta do Brasil à África, observamos uma troca intensa de delegações entre os países”.

No que diz respeito ao comércio, Angola representa atualmente apenas 0,2% das exportações brasileiras e 0,4% das importações. O fluxo comercial, que alcançou um pico de 4 bilhões de dólares em 2008, sofreu uma drástica queda após 2015, o que foi parcialmente causado pela diminuição dos preços do petróleo e pela crise econômica.

Por outro lado, a professora Elga Lessa de Almeida observa que as relações comerciais entre os dois países estão diretamente ligadas ao mercado de petróleo. As importações angolanas são majoritariamente compostas por óleos brutos, enquanto as exportações brasileiras para Angola são majoritariamente de carnes e produtos agrícolas.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) acredita que o comércio entre Brasil e Angola se expandirá nos próximos anos, apesar dos desafios estruturais existentes.

Vamos continuar acompanhando essa relação comercial em evolução entre o Brasil e Angola, que busca não apenas revitalizar os laços históricos, mas também estabelecer um futuro de colaboração e desenvolvimento.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Leia também...

Últimas notícias