A mineração que o Brasil precisa construir foi o eixo central do discurso de Ana Sanches, CEO da Anglo American no Brasil e presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), durante a abertura da Exposibram 2026. Diante de representantes do setor, ela defendeu uma atividade capaz de combinar geração de valor, segurança, sustentabilidade, respeito às comunidades e ao meio ambiente e participação nos desafios da transição energética.
Para Ana Sanches, reconhecer a importância econômica e social da mineração não basta. É necessário também estabelecer com clareza qual modelo de atividade o setor pretende entregar às próximas gerações. A executiva afirmou que a mineração deve ser “segura, sustentável, próspera para todos”, além de inclusiva e baseada no respeito às pessoas e aos territórios. Na avaliação dela, o setor também precisa assumir protagonismo diante das transformações provocadas pela transição energética.
O objetivo, segundo Ana Sanches, é fazer com que a atividade mineral seja capaz de gerar confiança e orgulho, inclusive entre as futuras gerações. Mas, se existe clareza sobre o caminho desejado, a executiva questionou por que o setor ainda avança mais lentamente do que considera possível. Ela apresentou dois pontos que considera importantes para explicar essa dificuldade.
Coragem e atitude para transformar o setor
O primeiro deles está relacionado à capacidade de transformar conhecimento e intenção em ação. Ana Sanches afirmou que o futuro não será construído apenas por desejos ou conhecimento acumulado, mas principalmente por atitude, coragem e determinação. Nesse contexto, ela defendeu uma postura mais prática e consistente dos profissionais e lideranças do setor. “E a gente precisa cada vez mais de pessoas que falem menos e ajam mais”.
A executiva acrescentou que essa atuação precisa ser acompanhada de coerência, disciplina e resiliência. Para ela, são características necessárias para transformar as intenções relacionadas ao futuro da mineração em iniciativas concretas. O segundo ponto levantado no discurso foi a necessidade de ampliar a capacidade de articulação do setor. Ana Sanches avaliou que a mineração não conseguirá avançar sozinha e precisa conquistar mais aliados para defender uma atividade segura e responsável.
“Nós precisamos ganhar aliados de verdade, aqueles que não apenas ouvem a nossa voz, mas nos ajudam a ecoar a nossa mensagem”.
Mineração precisa ampliar diálogo com a sociedade
A presidente do Conselho do Ibram também defendeu que o setor compreenda as perspectivas daqueles que estão fora da mineração. Segundo ela, para conquistar aliados é necessário que exista disposição para enxergar os desafios a partir de diferentes pontos de vista. Ana Sanches citou, como exemplo, a defesa ambiental e a busca por um mundo mais verde. Para ela, essa discussão precisa considerar também a dependência da sociedade em relação aos minerais utilizados em diferentes atividades.
A executiva argumentou que compreender os desafios de cada lado pode fazer com que o apoio à mineração deixe de ser visto apenas como uma concessão e passe a representar um objetivo compartilhado. “Quando as pessoas entendem os desafios mútuos, o apoio deixa de ser apenas um favor e passa a ser uma luta compartilhada”.
De espectadores a aliados da mineração
A construção dessa rede de apoio foi apresentada por Ana Sanches como um dos caminhos para mudar a percepção sobre a atividade mineral e fortalecer sua atuação na sociedade. Para ela, a conexão entre o setor e seus potenciais aliados pode transformar pessoas que apenas acompanham a discussão em participantes efetivos da defesa de uma mineração responsável. “É isso, pessoal, é essa conexão que eu acredito que transforma. Transforma um espectador comum em um soldado”.
A partir dessa mobilização, segundo a executiva, a defesa da mineração deixa de ser apenas uma demanda apresentada pelo próprio setor e passa a ganhar dimensão de movimento coletivo. Ao concluir o discurso, Ana Sanches retomou a ideia de que apoiar uma mineração segura e responsável significa também defender um caminho para o futuro. Para ela, é por meio dessa combinação entre atitude, diálogo, responsabilidade e construção de alianças que a atividade mineral poderá ocupar o espaço que o setor considera adequado:
“Apoiar a mineração segura e responsável, a mineração sustentável, é apoiar o caminho para o futuro”.
A mensagem deixada na abertura da Exposibram 2026 foi, portanto, de que os desafios da mineração não devem ser enfrentados apenas dentro do próprio setor. A construção de uma atividade que gere valor, respeite pessoas e territórios e seja reconhecida pela sociedade depende, na avaliação de Ana Sanches, da capacidade de transformar discurso em ação e de ampliar as alianças em torno dessa agenda.
Exposibram 2026 amplia debate sobre o futuro da mineração
Realizada de 24 a 27 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte, a Exposibram 2026 reúne executivos, especialistas, autoridades e representantes de diferentes países em torno das transformações que estão redesenhando a indústria mineral. Entre os principais temas estão a disputa global por minerais críticos e estratégicos, as mudanças no mercado de commodities, os desafios de infraestrutura e a necessidade de ampliar o processamento mineral no Brasil.
A discussão ganha peso diante da crescente importância de minerais como cobre, lítio, terras raras, níquel e grafite, considerados essenciais para a transição energética, a eletrificação, o desenvolvimento tecnológico e a segurança das cadeias globais de suprimentos. O evento também aborda o Plano Nacional de Mineração 2050, inovação, sustentabilidade, licenciamento ambiental, mudanças climáticas, rastreabilidade e governança.
Além da programação técnica, a feira chega à maior edição de sua história, com mais de 750 expositores e uma área superior a 17 mil metros quadrados. Organizada pelo Ibram, a edição também marca os 50 anos do instituto e reúne empresas, investidores, pesquisadores e profissionais de diferentes segmentos da cadeia mineral.























