Segunda, 15 de junho de 2026

Delação de Vorcaro à PF revela contrato com esposa de Moraes sem contrapartidas

Delação de Vorcaro à PF revela contrato com esposa de Moraes sem contrapartidas
A PF recusou nova tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro- Foto:Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Na proposta de delação premiada que foi rejeitada pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, admitiu que o contrato com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes tinha como objetivo a aproximação com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, esposo da advogada. Não havia contrapartidas nem atos de ofício relacionados, segundo informações do jornal O Globo.

A nova delação do banqueiro foi recusada pela PF, que continua mantendo Vorcaro preso preventivamente enquanto é investigado por fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

De acordo com os investigadores, a segunda versão da delação não trouxe novos elementos, repetindo informações já conhecidas. Isso resultou na rejeição pela instituição federal.

Integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstraram desânimo com os documentos apresentados, que mencionavam Alexandre de Moraes em uma das partes.

O ex-banqueiro afirmou que o contrato de R$ 129 milhões com a mulher de Moraes visava à aproximação com o ministro, negando quaisquer irregularidades na execução dos pagamentos. A proposta mencionava também um segundo aporte de R$ 50 milhões que não foi assinado e envolvia a mesma estrutura ligada ao escritório de Viviane.

Dados da Receita Federal, enviados à CPI do Crime Organizado, apontam que o Banco Master transferiu mais de R$ 80 milhões ao escritório entre 2024 e 2025 sob a rubrica de honorários e consultoria, com os pagamentos sendo interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação do banco.

A análise interna da PF concluiu que os novos anexos não revelaram fatos relevantes e que algumas operações eram consideradas normais, o que enfraqueceu a proposta.

Entre os pontos citados, está o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no qual Vorcaro afirma ter realizado um aporte de R$ 61 milhões, sem contrapartidas. Ele também considera lícitos os pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira, alegando tratar-se de amizade pessoal e custeio de despesas, inclusive viagens à Europa.

Fonte: O Antagonista

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