Domingo, 18 de janeiro de 2026

Nova edição do ‘Teatro Experimental do Negro’ resgata legado cultural

Nova edição do 'Teatro Experimental do Negro' resgata legado cultural
© Acervo do Ipeafro/Divulgação

Chegou às livrarias a obra ‘Teatro Experimental do Negro: testemunhos e ressonâncias’, originalmente organizada por Abdias Nascimento em 1966, que agora é recuperada e ampliada pela socióloga Elisa Larkin Nascimento e pelo gestor cultural Jessé Oliveira.

Abdias Nascimento (1914-2011) foi um multifacetado artista plástico, ativista, ator, deputado federal, dramaturgo, economista, escritor, poeta, professor universitário e senador. Sempre se comprometeu em defender a liberdade e a transformação social.

O lançamento do livro, que ocorreu na última primavera (novembro), celebra os 80 anos de fundação do Teatro Experimental do Negro (TEN), que teve seus ensaios iniciais em outubro de 1944. A publicação, da Edições Sesc em parceria com a Editora Perspectiva, contém 328 páginas.

Esta nova edição apresenta textos de renomados dramaturgos e poetas, incluindo Nelson Rodrigues e Efrain Tomás Bó, além de contribuições dos cientistas sociais Guerreiro Ramos e Florestan Fernandes. O livro também traz um ensaio fotográfico com imagens em preto e branco do elenco do TEN, capturadas por José Medeiros.

O Protagonismo do TEN

Fundado menos de 60 anos após a abolição da escravidão, o TEN tinha como objetivo valorizar a rica herança cultural afro-brasileira, destacando histórias e proporcionando protagonismo a autores e atores negros. Entre 1945 e 1958, o TEN encenou mais de 20 espetáculos, revelando talentos como Léa Garcia e Ruth de Souza.

“Quem definia os temas, os textos a serem encenados e o rumo das atuações era a comunidade negra”, observa Jessé Oliveira. “O Teatro Experimental do Negro é um divisor de águas, ampliando o debate sobre questões raciais e estabelecendo o profissionalismo em uma companhia teatral negra.”

Elisa Larkin Nascimento destaca que o TEN “faz a ponte entre o teatro moderno e contemporâneo no Brasil”, apresentando uma narrativa da sociedade brasileira distinta do discurso oficial de uma “democracia racial”, muitas vezes defendido por parte da intelectualidade, como a geração do sociólogo Gilberto Freyre.

A nova edição busca cumprir o objetivo da publicação original de “fazer um registro mais estável” e combater o apagamento da história do TEN. Elisa Larkin Nascimento lamenta que muitos estudantes de teatro ainda não conheçam o trabalho do TEN, afirmando que “nas escolas de teatro, sempre ouço que não estão familiarizados com o Teatro Experimental do Negro.”

A obra reafirma como as concepções de Abdias seguem relevantes nas práticas cênicas e coletivos contemporâneos, mantendo vivo o ideal de um teatro antirracista.

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