Segunda, 15 de dezembro de 2025

Mariana Salomão Carrara conquista Prêmio São Paulo de Literatura 2025

Mariana Salomão Carrara conquista Prêmio São Paulo de Literatura 2025
© Nilton Fukuda/Secretaria da Cultura

A saúde mental é uma questão crítica no Rio Grande do Sul, que historicamente apresenta altos índices de depressão e suicídio, conforme boletim da Secretaria de Saúde do estado publicado em 2023. Este contexto foi a inspiração para Mariana Salomão Carrara escrever A Árvore Mais Sozinha do Mundo, obra que recentemente conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura 2025.

A escritora foi surpreendida ao vencer na categoria de Melhor Romance do Ano, conquistando o prêmio pela segunda vez.

“Confesso que fui imaginando que ‘pô, dessa vez não vai dar. Eu tinha acabado de ganhar”, declarou Mariana, que anteriormente havia vencido em 2023 com a obra Não Fossem as Sílabas do Sábado.

Na obra premiada, Mariana retrata a vida de uma família de baixa renda que trabalha na plantação de tabaco, uma das atividades que mais movimentam a economia da região sul. Os personagens enfrentam dificuldades típicas, como dívidas e intoxicação pelo uso de agrotóxicos.

Um grande árvore, uma caminhonete, um espelho colonial e roupas de segurança atuam como “câmeras” na narrativa, proporcionando um olhar íntimo sobre o cotidiano desta família. Mariana optou por utilizar esses objetos como ângulos de visão para transmitir incerteza sobre o que ocorre, alienando a família do contexto em que estão inseridos.

“Escolhi não dar voz nem consciência à família sobre o que acontece ao seu redor. Essa scelta se deu pela necessidade literária de contar uma história onde não se tenha certeza do que se faz”, explicou a escritora.

Processo de Criação

A ideia para o livro surgiu em 2019, após Mariana ler uma reportagem sobre epidemias de suicídio no Rio Grande do Sul. Descobriu que a epidemia estava relacionada ao uso excessivo de agrotóxicos, que causam graves episódios de depressão.

Outro fator-chave é o endividamento familiar, levando muitos a um ciclo de “bola de neve” negativo, onde dívidas crescem exponencialmente devido a juros compostos.

“Essa realidade me tocou profundamente. Parecia ser um excelente material para minha literatura”, confessou.

Entretanto, o projeto foi adiando durante a pandemia de covid-19. Mariana considerava a escrita como um “exercício de imaginação e fuga da própria vida”, algo impraticável no isolamento social.

A escritora retomou o projeto após terminar Não Fossem as Sílabas do Sábado em 2022. Esta obra desafiou sua abordagem literária, exigindo pesquisas profundas sobre uma realidade que era distante de sua experiência pessoal.

“Foi um mergulho em uma realidade que eu não conhecia. Meus livros anteriores eram mais íntimos. Para este, precisei pesquisar e entrevistar pessoas, além de assistir vídeos gravados por adolescentes no TikTok”, ressaltou Mariana.

Prêmio São Paulo de Literatura

O Prêmio São Paulo de Literatura é uma iniciativa da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativa do Governo do Estado de São Paulo. Mariana Salomão foi acompanhada na premiação por Marcílio França Castro, que venceu na categoria de Melhor Romance de Estreia do Ano de 2024 com o ensaio O Último dos Copistas.

Ambos receberão um prêmio de R$ 200 mil e um convite para participar da 40ª Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, em 2026.

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