Terça, 13 de outubro de 2026

Hibridus Dança leva dois projetos a Governador Valadares com espetáculos e videodanças gratuitos

Programação no Teatro Atiaia, reune dança, ancestralidade, memória e reflexões sobre o corpo e a sociedade
Hibridus Dança leva dois projetos a Governador Valadares - Foto: Nilmar Lage

A dança produzida no Vale do Aço chega a Governador Valadares nesta quarta-feira (14) e quinta-feira (15) de outubro, com uma programação gratuita no Teatro Atiaia. O Hibridus Dança apresenta dois projetos de circulação, reunindo espetáculos, videodanças e uma roda de conversa que convidam o público a refletir sobre ancestralidade, identidade, padrões sociais, memória e as contradições que atravessam a experiência humana.

As atividades integram os projetos “ADEÓ: Danças de Ancestralidade e Futuro” e “Trajetórias em Movimento”, aprovados no Edital 10/2024 – Circulação de Espetáculos, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), em Minas Gerais. A produção local é assinada pela artista da dança, professora e produtora cultural Tati Tassis, que tem uma relação de parceria com o Hibridus construída ao longo dos anos.

Esse reencontro carrega uma memória importante para a dança mineira. Em 2015, o Hibridus integrou a programação da Semana da Dança de Governador Valadares, realizada por Tati Tassis, com a apresentação de Solos Hibridus. Agora, onze anos depois, a parceria se renova em outro lugar: Tati assume a produção local da circulação do Hibridus na cidade. Essa continuidade evidencia a importância das redes de colaboração entre artistas e produtores culturais para a circulação de trabalhos, o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da dança em Minas Gerais.

Com sede em Ipatinga, o Hibridus Dança foi fundado em 2002 e construiu uma trajetória dedicada à pesquisa, à criação e à difusão da dança. Sua história tem raízes no GRUCON – Grupo de União e Consciência Negra, experiência que contribuiu para a formação de um pensamento artístico atento às relações entre corpo, território, memória e questões sociais. Ao longo de sua trajetória, o Hibridus também desenvolveu ações de formação, circulação e preservação da memória da dança, ampliando o acesso à produção artística para além dos grandes centros.

Na quarta-feira, 14 de outubro, às 19h, o público poderá acompanhar ADEÓ, obra que investiga as relações entre memória, pertencimento e as histórias que constituem um grupo, uma cidade e um país.

Entre nuvens, fumaças e a ousadia de fazer até “vaca voar com gaiola e tudo”, ADEÓ mobiliza ancestralidades para rememorar futuros e dar palco ao que não foi dito, ao que foi maldito ou interditado. A obra propõe uma travessia pelas presenças que nos antecedem, convidando o público a escutar e traduzir cada pedaço de terra.

A dança se torna, assim, um espaço de encontro entre passado e futuro, entre histórias individuais e coletivas, interrogando as narrativas que construíram nossas identidades e abrindo espaço para outras possibilidades de existência.

Também às 19h será exibida a videodança. Fora de todas as casas, de todas as lógicas, com direção de Léo Coessens, que integra a programação da primeira noite. Às 20h, será apresentado o espetáculo Re-forma, solo de Luciano Botelho.

Refazer, reformar, olhar novamente. É desse movimento que parte Re-forma, trabalho que investiga o corpo em que se vive e aquele em que se deseja viver.

A obra orientada pelo artista visual de Belo Horizonte, Marco Paulo Rolla, questiona os padrões estéticos e sociais que determinam quais corpos devem ser belos, perfeitos, ágeis e desejáveis. Ao tensionar a ideia de uniformidade, o espetáculo investiga a busca por uma igualdade que, muitas vezes, exige que as pessoas sigam parâmetros para serem reconhecidas justamente por suas diferenças.

Entre aproximações e afastamentos dos modelos estabelecidos, o corpo aparece como território de experimentação, conflito e transformação. Re-forma convida o público a refletir sobre as formas que nos são impostas, aquelas que escolhemos habitar e as possibilidades de encontro e desencontro consigo mesmo.

Na quinta-feira, 15 de outubro, a programação começa às 19h com a videodança Aqui, com direção de Léo Coessens. Às 19h10, Luciano Botelho apresenta Verzeih Mir (Me Perdoe), trabalho dirigido por ChaimGebber e desenvolvido a partir das impressões provocadas por uma bolsa de estudos realizada em Berlim.

A experiência na cidade alemã tornou-se matéria para uma reflexão sobre preconceitos, tiranias, covardias, massacres e genocídios. A obra aproxima a experiência urbana e as marcas da história, cruzando a mineiridade com a universalidade, a ditadura militar brasileira com os assassinatos em massa praticados em outros países e sob outros regimes autoritários.

Em cena, a dor aparece como algo que carregamos nos ombros, mas que também se manifesta nas relações cotidianas. O trabalho questiona nossa participação, direta ou indireta, na manutenção de estruturas opressoras e a constante troca de papéis entre vítimas e opressores.

O pedido de perdão que dá título à obra não se limita a um gesto individual. É também um questionamento sobre as tiranias diárias que alimentam a tirania mundial, o silêncio diante da violência e os gritos que se transformam em opressão. Um convite a reconhecer as contradições que atravessam nossas relações e responsabilidades coletivas.

Por abordar essas questões, Verzeih Mir tem classificação indicativa de 18 anos. As demais atividades da programação têm classificação livre.

Às 20h, a circulação se encerra com uma roda de conversa, criando um espaço para o encontro entre artistas e público, a troca de impressões e o aprofundamento das questões suscitadas pelas obras.

FICHA TÉCNICA

ADEÓ

Artistas da dança: Wenderson Godoi e Luciano Botelho

Direção: Jorge Alencar, Netto Machado e Léo Coessens

Trilha: Barulhista

Figurino: Vanuza Bárbara

Iluminação: Morrison Deolli

Operação de Luz: André Rissi

Operação de Trilha: Léo Coessens

Re-forma

Artista da Dança: luciano Botelho

Orientação: Marco Paulo Rolla

Iluminação: Morrison de Oliveira

Operação de Luz e trilha: André Rissi

Verzeih Mir (Me Perdoe)

Artista da Dança: luciano Botelho

Direção e trilha: ChaimGebber

Iluminação: Morrison de Oliveira

Operação de Luz e trilha: André Rissi

Produção Executiva: Cênika Produções

Assistente de Produção: Camila Gomes e Christiane Juliana

Social Media: Priscila de Paula e Caroline Lourence

Design Gráfico: FiP Design

 

Serviço:

Hibridus Dança em Governador Valadares

Quarta-feira, 14 de outubro

– 19h – ADEÓ: Danças de Ancestralidade e Futuro — classificação livre.

– 19h – Videodança…Fora de todas as casas, de todas as lógicas — classificação livre.

– 20h – Re-forma — classificação livre.

Quinta-feira, 15 de outubro

– 19h – VideodançaAqui — classificação livre.

– 19h10 – Verzeih Mir (Me Perdoe) — classificação indicativa de 18 anos.

– 20h – Roda de conversa — classificação livre.

Local: Teatro Atiaia

Endereço: Rua Marechal Floriano, 513, Centro, Governador Valadares/MG

Entrada: gratuita.

Produção local: Tati Tassis

Realização: Hibridus Pontão de Cultura

Projetos: ADEÓ: Danças de Ancestralidade e Futuro e Trajetórias em Movimento

Fomento: Edital 10/2024 – Circulação de Espetáculos, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Governo de Minas Gerais.

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