No início, era apenas um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico cruzando as ruas da cidade onde diziam que não tinha carnaval. Inspirado nas aparelhagens do Pará, neste sábado (14), o Aparelhinho celebra 15 anos consolidado como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público na capital federal.
“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, afirmou Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília, nesta sexta-feira (13).
“Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”, contou Ops.
O DJ revelou que o primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Na época, estava estudando artes cênicas e fez o primeiro projeto em parceria com o arquiteto Gustavo Góes.
“Ele não surgiu como um trio elétrico, mas como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir calçada, ele vai para onde a gente imaginar. Era simples, com quatro caixinhas de som ativas. Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. A cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou.
Ao longo dos anos, o carrinho elétrico evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante com as cores azul e laranja. Os organizadores destacam que já tiveram carrinho de madeira, de ferro, foi online durante a pandemia, charrete, trio e até carreta.
Recentemente, o Aparelhinho sai às ruas com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, em 2026, conta com cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.
A publicitária Bruna Daibert, que frequenta o bloco desde 2012, afirmou: “Amo muito o carnaval. Enquanto o Aparelhinho sair, eu vou também. É o bloco em que encontro meus amigos. Aqui fazemos questão de trazer nossas famílias, é uma celebração de amor e alegria”.
Em 2023, por exemplo, o bloco Galinho de Brasília, um dos mais tradicionais da capital federal, cancelou o desfile diante da restrição de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul, o que levantou debates sobre a adequação dos blocos de carnaval às questões urbanas.
“Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, colorido e feliz”, completou Bruna.
O repertório do aniversário do bloco incluiu músicas remixes de frevos, axés, sambas-enredos, brega funk e rock and roll. “A gente toca música do mundo”, disse DJ Barata em entrevista.
O carnaval de rua é promovido como um espaço democrático e inclusivo, recebendo foliões de todas as idades e condições. No entanto, desafios de acessibilidade ainda persistem, como relatou a dentista Fabiana Montandon, que encontrou dificuldades na infraestrutura do evento, mesmo após anos acompanhando o Aparelhinho.

























