Sábado, 14 de março de 2026

Bloco Aparelhinho completa 15 anos celebrando o Carnaval de Brasília

Bloco Aparelhinho completa 15 anos celebrando o Carnaval de Brasília
© Joédson Alves/Agência Brasil

No início, era apenas um som eletrônico montado sobre um carrinho alegórico cruzando as ruas da cidade onde diziam que não tinha carnaval. Inspirado nas aparelhagens do Pará, neste sábado (14), o Aparelhinho celebra 15 anos consolidado como um movimento de apropriação do carnaval de rua e ressignificação do espaço público na capital federal.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, afirmou Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília, nesta sexta-feira (13).

“Assim como uma fanfarra que toca sua flauta, seu instrumento pela rua, a gente quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”, contou Ops.

O DJ revelou que o primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Na época, estava estudando artes cênicas e fez o primeiro projeto em parceria com o arquiteto Gustavo Góes.

“Ele não surgiu como um trio elétrico, mas como um objeto empurrável que pode ocupar marquise, túnel, subir calçada, ele vai para onde a gente imaginar. Era simples, com quatro caixinhas de som ativas. Chegamos no primeiro ano sem expectativa nenhuma e tivemos um ano maravilhoso. A cidade amou o projeto e hoje estamos aí completando 15 anos”, celebrou.

Ao longo dos anos, o carrinho elétrico evoluiu para uma estrutura mais tecnológica e visualmente impactante com as cores azul e laranja. Os organizadores destacam que já tiveram carrinho de madeira, de ferro, foi online durante a pandemia, charrete, trio e até carreta.

Recentemente, o Aparelhinho sai às ruas com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, em 2026, conta com cerca de 100 pessoas envolvidas na organização.

A publicitária Bruna Daibert, que frequenta o bloco desde 2012, afirmou: “Amo muito o carnaval. Enquanto o Aparelhinho sair, eu vou também. É o bloco em que encontro meus amigos. Aqui fazemos questão de trazer nossas famílias, é uma celebração de amor e alegria”.

Em 2023, por exemplo, o bloco Galinho de Brasília, um dos mais tradicionais da capital federal, cancelou o desfile diante da restrição de trajeto por quadras residenciais da Asa Sul, o que levantou debates sobre a adequação dos blocos de carnaval às questões urbanas.

“Acho que a gente tem que ocupar a cidade inteira, é uma vez por ano. Deixa o carnaval acontecer, é tão bonito, colorido e feliz”, completou Bruna.

O repertório do aniversário do bloco incluiu músicas remixes de frevos, axés, sambas-enredos, brega funk e rock and roll. “A gente toca música do mundo”, disse DJ Barata em entrevista.

O carnaval de rua é promovido como um espaço democrático e inclusivo, recebendo foliões de todas as idades e condições. No entanto, desafios de acessibilidade ainda persistem, como relatou a dentista Fabiana Montandon, que encontrou dificuldades na infraestrutura do evento, mesmo após anos acompanhando o Aparelhinho.

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