O carro oficial do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) foi devolvido à nova diretoria com cerca de R$ 6 mil em multas de trânsito, incluindo uma autuação por embriaguez ao volante. Além disso, foram registrados aproximadamente R$ 2 mil em gastos com combustível, algumas das quais vinculadas a placas diferentes da do veículo da entidade. A situação foi apresentada aos servidores na última sexta-feira (27) pela nova presidente da entidade, Graziele Vieira Cachapuz Machado, durante assembleia realizada na Câmara Municipal de Itabira.
O veículo, segundo Grazi, só foi devolvido quase três meses após a eleição da atual gestão. De acordo com o advogado do sindicato, Pedro Moreira, o levantamento ainda é preliminar e requer cautela. “O carro só chegou à posse do sindicato hoje. Precisamos verificar quem estava conduzindo, se estava a serviço da entidade e identificar os responsáveis pelas multas”, afirmou. A autuação por embriaguez foi um dos pontos mais comentados entre os servidores presentes. Se a infração for confirmada, a diretoria pretende identificar o condutor para que assuma os custos.
Além das autuações, os registros de abastecimento também estão sob investigação. Segundo o advogado, é preciso validar se os pagamentos estavam relacionados a atividades institucionais, apesar de apontamentos de gastos vinculados a placas distintas. “Não é uma caça às bruxas, como a presidente muito bem colocou. Mas também não é correto omitir e fechar os olhos para algo grave que possa ter ocorrido”, destacou.
Em meio a essa crise, o Sintsepmi acumula R$1.567.309,34 em dívidas fiscais, conforme um levantamento preliminar do Conselho Fiscal de setembro de 2024. A nova diretoria também destacou a ausência de registros contábeis, falta de inventário patrimonial e a inexistência de balanços financeiros entre 2019 e 2025.
Durante a reunião, o Conselho Fiscal também informou que, junto à análise da dívida fiscal, será realizado um inventário completo do patrimônio do sindicato para determinar a localização e a regularidade dos bens adquiridos com recursos da entidade.
Grazi Cachapuz afirmou que, dada a gravidade das indícios levantados, existem elementos suficientes para registrar um boletim de ocorrência e, se necessário, comunicar ao Ministério Público, após a conclusão do trabalho contábil.
Enquanto isso, a contabilidade estima um prazo de até quatro meses para finalizar a escrituração acumulada de seis anos, etapa essencial para esclarecer não apenas a situação do veículo, mas todo o cenário financeiro do sindicato.
A DeFato Online tentou contato com Auro Gonzaga, ex-presidente do Sintsepmi, mas até o fechamento da matéria, nenhum retorno foi obtido. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
























