João Monlevade revive, nesta semana, um dos capítulos mais marcantes de sua história operária. O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) promove, até a próxima quinta-feira (7), uma exposição na Câmara Municipal dedicada à histórica Greve de 1986, considerada a mais longa paralisação já registrada entre os metalúrgicos da cidade.
A iniciativa, conforme a entidade, integra a programação oficial do recém-instituído “Dia da Luta Operária de João Monlevade”. A data é fruto da Lei Municipal nº 2.601/2023 de autoria do vereador Belmar Diniz (PT). Ela foi sancionada em dezembro do ano passado e é celebrada anualmente no dia 8 de agosto, como homenagem aos trabalhadores da antiga Belgo-Mineira. Em 1986, eles protagonizaram uma greve de 23 dias em busca de melhores condições de trabalho e respeito às suas reivindicações.
A exposição traz uma cuidadosa pesquisa do ativista cultural Francisco de Paula Santos, o Barcelona, e reúne documentos, fotografias, reportagens e demais registros que ajudam a contar a história daquele movimento que mobilizou toda a cidade. Barcelona, inclusive, é um dos que participou ativamente da greve histórica, como então dirigente sindical. “O objetivo da exposição, tal qual o Dia da Luta Operária, é preservar a memória coletiva e valorizar a luta dos trabalhadores que moldaram a identidade de João Monlevade”, informa o Sindmon-Metal. Os trabalhos estão no hall da Câmara Municipal de João Monlevade.
Durante a reunião ordinária da Câmara, nesta quarta-feira (6), representantes do Sindmon-Metal usarão a tribuna do Legislativo. O objetivo é relembrar os desdobramentos da greve e reforçar a importância de manter viva a memória e as ações da classe trabalhadora.
A Greve que Entrou para a História
Às 15h do dia 16 de julho de 1986, os trabalhadores da usina da então Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (CSBM) cruzaram os braços. O movimento, que se estendeu até a manhã de 8 de agosto, ficou conhecido como a “Greve de 23 dias”, considerada um marco de resistência e mobilização no cenário sindical de Minas Gerais.
Além das tensões entre empresa e empregados, a greve ganhou forte apoio da comunidade, especialmente, do “Movimento das Mulheres”, liderado por esposas de metalúrgicos como a professora Celeste Semião e Maria Leonides Ramos (Leo), esposa de Antônio Ramos, que posteriormente presidiu o sindicato entre 1987 e 1990.
Durante a paralisação, essas mulheres organizaram uma cozinha comunitária improvisada junto às grades da usina, garantindo alimentação e suporte aos grevistas, uma vez que o restaurante da Usina foi fechado. Também houve celebração de missa e uma grande comoção. A paralisação teve ampla cobertura da imprensa local e repercussão nacional, tornando-se um marco da luta operária e um símbolo da força coletiva dos trabalhadores monlevadenses. A greve foi encerrada com a garantia de conquistas para os trabalhadores. Um dos líderes do movimento, o sindicalista Leonardo Diniz Dias, foi eleito prefeito de João Monlevade em 1988, responsável pelo primeiro governo do PT na cidade.
























