Sábado, 12 de setembro de 2026

Brasil supera EUA em ranking de liberdade de imprensa pela 1ª vez

O Brasil alcançou sua melhor classificação na história em ranking de liberdade de imprensa, superando os Estados Unidos pela primeira vez.

Brasil supera EUA em ranking de liberdade de imprensa pela 1ª vez
© Lula Marques/ Agência Brasil

O Brasil figurou na 52ª posição no recente ranking global sobre liberdade de imprensa, apresentando uma ascensão significativa de 58 posições desde 2022 e ultrapassando, pela primeira vez, os Estados Unidos, que agora ocupa a 64ª posição. O levantamento, divulgado na quinta-feira (30) pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, ilustra um cenário em que o Brasil avançou 11 posições em relação a 2025, posicionando-se apenas atrás do Uruguai na América do Sul, que ocupa a 48ª colocação.

Segundo a ONG, a melhoria no panorama brasileiro é uma das exceções em um mundo onde muitos países enfrentam deterioração nas condições de liberdade de imprensa. O diretor da ONG para a América Latina, Artur Romeu, destacou que “trata-se de um avanço muito expressivo em um contexto de retrocessos. O Brasil é um ponto fora da curva”. Essa evolução se deve, entre outros fatores, à redução dos ataques a jornalistas que marcaram o período de tensões durante o governo de Jair Bolsonaro.

Outro aspecto crucial desse progresso é o fato de que não houve assassinatos de jornalistas desde a morte de Dom Philips em 2022, que havia sido um marco triste para a profissão, que viu 35 jornalistas assassinados entre 2010 e 2022.

“O Brasil tem observado uma agenda de regulação das plataformas e do enfrentamento à desinformação”, ressalta Romeu.

Artur também mencionou iniciativas como a criação de um Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas e um protocolo para investigar crimes contra a imprensa.

No entanto, o crescimento do Brasil no ranking deve ser visto com cautela, pois é em parte reflexo da degradação do cenário em outras nações. Romeu apontou que os Estados Unidos têm passado a ser considerados um parâmetro negativo, contribuindo para a disseminação de práticas hostis contra a imprensa em outros países.

A pontuação do Brasil subiu cerca de 11 pontos, mas a realidade americana, marcada pelo que o diretor da ONG descreveu como “hostilidade sistêmica ao trabalho da imprensa”, teve consequências gravosas, como a queda de sete posições no ranking deste ano.

Além disso, os ataques não se limitam a ataques verbais; a instrumentalização do sistema judicial por parte de governos para intimidar jornalistas e a criminalização do jornalismo são preocupações crescentes. O relatório destaca que, pela primeira vez, mais da metade dos países do mundo estão em uma condição crítica ou grave em relação à liberdade de imprensa.

Por fim, a tendência é de que a situação do jornalismo nas Américas continue a se agravar se medidas efetivas não forem adotadas para proteger a liberdade de imprensa, conforme evidenciado pelas duras quedas no ranking de países como Argentina, Equador e Peru.

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