O presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana, enfatizou a importância de que o Brasil — especialmente Itabira — retome sua agenda de industrialização, que se perdeu ao longo do século XX. Segundo ele, a cidade ainda sofre os efeitos de decisões históricas que priorizaram a extração primária em detrimento de debates sobre tecnologias e indústrias relacionadas ao minério.
“Itabira não foi industrializada. O Brasil não foi industrializado. E Itabira, inclusive, abriu mão de ensino por muito tempo”, afirmou Viana, observando que a cidade só começou a oferecer cursos de engenharia a partir de 2010, o que ele considera um absurdo.
Mineração circular e briquete: alternativas para Itabira
Viana propõe que existem tecnologias e projetos que podem ajudar a reposicionar Itabira no mapa da industrialização mineral. Um dos exemplos é a mineração circular, que possibilita o reaproveitamento de rejeitos de barragens, minimizando riscos ambientais e gerando novos produtos. O presidente ressaltou: “O rejeito pode ser remunerado. Você consegue eliminar barragem e ainda trazer valor agregado”. Ele também mencionou aplicações em diversas regiões, como a produção de vidro plano, tijolos e blocos a partir de material descartado.
Outro ponto que Viana defende é a inclusão de Itabira na rota do briquete, um produto que substitui a pelota e contribui para a redução de emissões de carbono nas siderurgias. Atualmente, a Vale possui uma usina de briquete em operação no Espírito Santo e planeja expandir esse modelo para outras localidades. “Por que Itabira não pode estar na rota do briquete?”, questionou.
Discussão urgente sobre a industrialização
Viana acredita que a pauta da industrialização deve ser retomada com urgência e envolver todos os setores da cidade. Ele conclui: “Antes tarde do que mais tarde ainda, diria algum frasista. Nós temos que recuperar essa discussão”. Para ele, essa iniciativa deve mobilizar trabalhadores da Vale, a população local, a Prefeitura, a Câmara Municipal e até os governos estadual e federal, que, segundo ele, atualmente não possuem uma relação direta com Itabira em temas estratégicos: “Itabira está isolada da autoridade estadual e federal. Não há conexão que busque isso. E isso é grave”.
Uma agenda postergada para a industrialização
Por fim, Viana salientou que o atraso industrial brasileiro vai além do minério de ferro. O país precisa deixar de ser um mero exportador de matéria-prima, passando a agregar valor em diferentes cadeias, como lítio, cobre, nióbio e terras raras. Ele citou declarações recentes do presidente Lula sobre a necessidade de utilizar as terras raras para a industrialização. “O Brasil não quer só exportar terras raras. O Brasil quer usar as terras raras para a industrialização”, afirmou, reafirmando que o mesmo se aplica a todos os minerais estratégicos.
Ao mencionar obras como o livro Itabira Iron, relançado pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), Viana destacou que a discussão sobre a industrialização do minério de ferro em Itabira existe desde os primórdios da mineração na região, mas nunca se tornou uma política pública. “A principal lupa de Itabira hoje é pela atrasada, antiga industrialização da cidade, que não foi feita”, concluiu.




























