Os inquéritos que investigam as fraudes do Banco Master e as irregularidades no INSS estão sob a relatoria do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), com delações premiadas em andamento.
O principal foco é o de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que, em 19 de março, firmou um acordo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).
Atualmente, Vorcaro está detido na Superintendência da Polícia Federal e sua delação gera preocupações entre os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Mendonça foi designado para a relatoria no dia 12 de fevereiro, após acordo unânime entre os 10 ministros da Corte, sucedendo o ministro Dias Toffoli. A cadeira de Luís Roberto Barroso, aposentado em outubro de 2025, permanece vaga, aguardando nova indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O termo de confidencialidade garante o sigilo das informações fornecidas por Vorcaro, que deve colaborar em investigações sob pena de nulidade de seu acordo. A expectativa é que o processo leve entre 30 a 60 dias.
A PGR e a PF trabalharão para identificar mais provas e, se necessário, solicitarão a homologação do acordo por parte de Mendonça. Após essa homologação, novos depoimentos serão formalmente considerados nos autos do inquérito.
A integralidade das informações fornecidas será crucial, pois relatos seletivos não serão aceitos, o que assegura que o delator não tente proteger ninguém.
As consequências das delações devem ser mais evidentes no segundo semestre de 2026, próximo ao período eleitoral. Existe a expectativa de que Vorcaro revele ligações com figuras políticas e membros do Judiciário.
Entretanto, só crimes relacionados a corrupção ou advocacia administrativa serão considerados, e não meras relações de proximidade ou investimentos.
A terceira fase da operação Compliance Zero foi aprovada por Mendonça em 4 de março, resultando na prisão de Vorcaro, com a decisão unânime da 2ª Turma do STF, mesmo diante de críticas do ministro Gilmar Mendes, que alertou para possíveis equívocos semelhantes aos vistos na operação Lava Jato.
Além de Vorcaro, outras duas ou três delações sobre fraudes no INSS estão em andamento, incluindo questões relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), que teria recebido valores significativos do chamado Careca do INSS.


























