Segunda, 15 de dezembro de 2025

A Marcha das Mulheres Negras e suas raízes em Belém do Pará

A Marcha das Mulheres Negras e suas raízes em Belém do Pará
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Black Zone, instalada na Praça da República, em Belém (PA), congrega mulheres negras de várias partes para encontros que ocorrem durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Esses encontros vão além de simplesmente amplificar as vozes que ficam à margem das negociações globais sobre o clima; elas também se preparam para a Marcha das Mulheres Negras.

No dia 20 de novembro de 2025, Nilma Bentes, uma ativista do movimento negro, se destacou no Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará). A imagem de Nilma, capturada por Tânia Rêgo/Agência Brasil, ilustra seu papel vital na organização deste movimento.

O espaço dos encontros homenageia a belenense Raimunda Nilma Bentes, a Dona Nilma, que idealizou a primeira marcha das mulheres negras em 2015. “Em 2011, estava na Bahia e senti a necessidade de propor algo mais contundente: uma marcha das 100 mil mulheres negras”, afirmou Dona Nilma.

“O ano de 2015 foi escolhido pois coincidia com a comemoração da primeira marcha mista de pessoas negras, realizada em 1995”, recorda.

O tema da primeira marcha foi “Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência pelo Bem Viver”, atraindo cerca de 70 mil women até a Praça dos Três Poderes, em 18 de novembro de 2015.

“A presença foi muito maior do que esperávamos. Parecia haver uma demanda reprimida”, destacou Dona Nilma.

10 Anos Depois

No dia 25 de novembro, um novo grupo de mulheres negras está se organizando para marchar em Brasília, com demandas como reparação e bem viver.

Maria Malcher, coordenadora de projetos do Cedenpa, enfatiza que a reparação vai além de um tema, englobando a luta contra a violência e o racismo. Para ela, as pautas contemporâneas do movimento de mulheres negras são mais abrangentes.

“Procuramos um projeto político que priorize justiça social e a necessidade detransformação das condições ambientais”, afirma Dona Nilma.

Sobre as demandas locais, Dona Nilma declara que as mulheres, em sua maioria trabalhadoras domésticas, buscam melhoria nas condições de trabalho e aposentadorias dignas que considerem o valor do cuidado que prestam.

Na cidade de Belém e em todo o Brasil, as mulheres são a maioria, e a luta contra as mudanças climáticas representa uma urgência palpável para elas.

“Embora as mudanças climáticas afetem a todos, elas são exacerbadas por desigualdades socioeconômicas existentes”, lamenta Dona Nilma.

Comitê de Mulheres Negras por Justiça Climática

Para fortalecer sua atuação e exigir mais representatividade nas decisões climáticas, o Comitê Nacional das Mulheres Negras por Justiça Climática foi constituído. No último dia 10 de novembro, o comitê foi oficializado em Belém, envolvendo 36 organizações do movimento negro.

A Celebração da marcha de 2025 terá mais de 50 atividades, incluindo assembleias e diálogos globais, que visam à soma das forças em prol da luta das mulheres negras.

A programação ainda inclui a elaboração de um manifesto, que será entregue aos Três Poderes durante a marcha em Brasília.

“Uma cartilha organizada pela comunicadora Flávia Ribeiro orienta como participar da marcha, trazendo a história e as proposições de reparação acordadas”, finaliza Maria Malcher.

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