Segunda, 20 de julho de 2026

Rio Tietê enfrenta desafios em sua qualidade, mesmo com redução da poluição

O Rio Tietê, um dos mais importantes do estado de São Paulo, continua a enfrentar sérios desafios relacionados à sua poluição, mesmo com recentes avanços significativos na redução de sua mancha de poluição.

Rio Tietê enfrenta desafios em sua qualidade, mesmo com redução da poluição
© Rovena Rosa/Agencia Brasil

O Rio Tietê ainda se mostra vulnerável, apesar de uma redução significativa de 15,9% na sua mancha de poluição, caindo de 207 km em 2024 para 174 km em 2025. Conforme os dados analisados pela Fundação SOS Mata Atlântica, apenas um ponto dentro da bacia apresentou água em condição boa, enquanto a maioria se mantém nas categorias regular, ruim ou péssima.

Essas informações foram divulgadas na mais recente edição do estudo Observando o Tietê, instituído no contexto do Dia do Rio Tietê, celebrado em 22 de setembro, que mostra a realidade desse importante rio paulista, que percorre 1.100 km de leste a oeste pelo estado de São Paulo.

“Apesar da queda na extensão da mancha de poluição, a qualidade da água ainda apresenta muitos pontos críticos”, ressalta Gustavo Veronesi, coordenador do projeto na SOS Mata Atlântica.

Dos 55 pontos monitorados nos 41 rios da bacia do Tietê, apenas 1,8% foram classificados como de boa qualidade. A maioria apresentou condições regulares (61,8%), ruins (27,3%) ou péssimas (9,1%). Não houve registro de nenhum ponto com qualidade ótima.

A análise foi baseada no Índice de Qualidade da Água (IQA), que mede fatores como oxigênio dissolvido, coliformes fecais e turbidez. A bacia do Tietê abrange 265 municípios e mais de 9 milhões de hectares, sendo 79% dela composta pelas riquezas do bioma Mata Atlântica.

O estudo revela que a bacia viveu um ciclo de recuperação entre 2016 e 2021, mas a partir de 2022, essa melhoria se inverteu. Veronesi enfatiza que a piora observada não foi um evento isolado, mas sim uma tendência de retrocesso que exige atenção.

Com relação à perda de água de boa qualidade, que diminuiu drasticamente de 119 km em 2024 para apenas 34 km no trecho inicial do Tietê, a situação é alarmante. A classificação regular, embora tenha avançado para 368 km, ainda representa uma realidade preocupante, sujeitando a água a restrições para usos múltiplos.

Além disso, a qualidade da água permanece vulnerável a desastres ambientais, como a escassez de chuvas, o que tem comprometido a diluição dos poluentes no rio. A continuidade de ações de despoluição ao longo do Tietê é considerada essencial para garantir uma melhoria sustentável.

Os dados mostram que a poluição dos rios é um reflexo de diversas práticas, incluindo o descarte inadequado de lixo, que afeta diretamente a qualidade da água. Veronesi defende a necessidade de um esforço conjunto para a despoluição, envolvendo tanto as esferas governamentais quanto a responsabilidade empresarial.

“É um grande desafio, e as obras de despoluição devem ser uma prioridade constante, especialmente na Bacia do Alto Tietê, onde a população enfrenta sérios problemas de saneamento básico”, finaliza.

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