Na próxima segunda-feira (9), cerca de 100 chefes de Estado e governo, além de 30 mil cientistas e representantes da sociedade civil, se reunirão em Nice, no sul da França, para a terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos. O evento buscará fortalecer a governança global e acelerar a implementação do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, que visa a conservação e uso sustentável dos oceanos e dos recursos marinhos.
A França, coorganizadora da conferência ao lado da Costa Rica, estabeleceu oito prioridades para o encontro, incluindo a necessidade de ratificação por 60 países do Tratado de Biodiversidade em Áreas Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), também conhecido como Tratado do Alto-Mar. Este tratado, que regulamenta o uso das águas internacionais, foi concluído após 20 anos de negociações e assinado por 116 países, incluindo o Brasil. Porém, somente 31 nações ratificaram o acordo até o momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da abertura da conferência, que também será uma oportunidade para o governo francês incentivar outros países a ratificarem o tratado. Olivier Poivre D’Arvor, diplomata francês, destacou a importância do compromisso global: ‘Não se tem controle sobre 50% da superfície global, ou seja, 64% dos mares. Esperamos que até o fim do ano possamos ratificá-lo.’
Uma das prioridades da conferência é ampliar o conhecimento científico sobre os oceanos, com iniciativas como a missão Neptune, que terá 15 anos de duração e incluirá diversos países na exploração dos mares. O centro de pesquisas Mercator, focado na coleta de dados e em tecnologia para o entendimento dos oceanos, também será apresentado.
O evento destacará, ainda, a necessidade de promover pesca sustentável, proteger 30% dos oceanos até 2030, combater poluição plástica e enfrentar os impactos da mudança climática, que afeta diretamente a biodiversidade marinha.
“O colapso da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico é uma ameaça grande. Temos que observar a situação, e talvez seja tarde demais para evitar isso”, lamentou D’Arvor.
A Conferência dos Oceanos acontece até sexta-feira (13) e tem como meta preparar o cenário para a COP-30, que ocorrerá em novembro, em Belém. Este encontro é fundamental para a discussão sobre as questões relacionadas aos oceanos, biodiversidade e clima.

























