Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros na Ilha de Trindade, no Espírito Santo, revelou o potencial de recuperação da vegetação nativa em ecossistemas degradados. De 1994 a 2024, a área florestal da ilha cresceu 1.468,62%, acrescentando 65,06 hectares ao seu território verde.
Além disso, as áreas de pastagens aumentaram em 319,45%, totalizando mais 325,14 hectares. Essa mudança significativa deve-se principalmente à erradicação de uma espécie invasora introduzida no século 18: as cabras.
Estes animais, que não tinham predadores naturais na ilha, superpovoados, devastaram a vegetação nativa ao se alimentarem de quase todas as plantas disponíveis, comprometendo a sobrevivência das espécies locais.
O estudo, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas do Museu Nacional/UFRJ, resultou na publicação intitulado “Da Perturbação à Recuperação: Desvendando o Papel das Cabras e dos Motores Ecológicos na Dinâmica da Vegetação da Ilha da Trindade” no periódico Journal of Vegetation Science.
“As ilhas merecem nossa atenção e cuidado por apresentarem ecossistemas delicados, nos quais muitas vezes encontramos espécies nativas que não são vistas em outros locais. Qualquer ameaça a esse equilíbrio pode levar à extinção de espécies únicas.”
A declaração é do professor Nílber Gonçalves da Silva, orientador da pesquisa. O levantamento, que também contou com a participação dos biólogos Felipe Zuñe, Márcia Gonçalves Rogério e Ruy José Válka Alves, ressalta que outros fatores ambientais, como o volume de chuvas, intensificaram os danos causados pela presença das cabras.
Os resultados mostraram que anos com precipitação elevada coincidiram com a recuperação acelerada da vegetação florestal, situação que se reverteu em períodos de seca, onde os impactos da espécie invasora aumentaram. Os pesquisadores concluíram que para entender as transformações na vegetação, é necessário considerar as interações ambientais e biológicas.
O estudo recomenda que estratégias de restauração considerem práticas de manejo adaptativo que levem em conta os impactos das espécies e as mudanças climáticas. “Isso é particularmente importante no contexto das alterações climáticas globais, que podem modificar a dinâmica de recuperação da vegetação de formas ainda não compreendidas”, afirmam os cientistas.

























