Um relatório divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revela que 588 áreas protegidas da Amazônia não apresentaram registros de desmatamento entre janeiro e junho de 2023. Esse número representa mais de 80% desses territórios, incluindo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.
A divulgação dos dados ocorre em um momento crítico, pois o governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão do desmatamento ilegal nas justificativas para uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo brasileiro classificou as acusações como “indevidas” e destacou a redução dos índices de desmatamento desde 2023.
Menor Desmatamento em Oito Anos
Conforme o Imazon, a Amazônia perdeu 1.145 quilômetros quadrados de floresta entre janeiro e junho de 2023, o que representa uma queda de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. Trata-se da menor área desmatada no primeiro semestre nos últimos oito anos.
Em comparação a 2022, o ano em que foi registrado o pico histórico para o período, a redução foi de 76%. As áreas protegidas responderam por 97,37 quilômetros quadrados do total desmatado, ou seja, apenas 8%.
Destaques Negativos
Embora a redução geral tenha sido significativa, o estudo aponta focos persistentes de desmatamento. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no Pará, foi responsável por metade do desmatamento registrado nas áreas protegidas no primeiro semestre, contabilizando 47,85 km².
A Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, teve destaque devido à recente aprovação, no Senado, de um projeto de lei que reduz a sua área em 3,45 km², o que equivale a quase 350 campos de futebol. Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, salientou que esta aprovação favorece um pequeno grupo que invadiu a unidade ilegalmente.
Estados da Amazônia
Dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, apenas dois registraram aumento no desmatamento entre agosto de 2022 e junho de 2023: Roraima (25%) e Maranhão (20%). Os demais estados apresentaram queda entre 67% e 27%. O Pará liderou o desmatamento com 684 km², seguido pelo Mato Grosso (509 km²) e Amazonas (378 km²).























