Terça, 26 de maio de 2026

Estratégia de investimento sustentável é apresentada para a Amazônia na COP30

Estratégia de investimento sustentável é apresentada para a Amazônia na COP30
© Agência Brasil

Um plano inovador para atrair investimentos destinados à conservação, restauração e desenvolvimento sustentável da Amazônia foi revelado nesta sexta-feira (4) durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Brasília. A proposta foi discutida com Ana Toni, diretora executiva do evento programado para novembro em Belém, Pará.

Intitulado Ampliando o Financiamento de Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia: Um Roteiro de Ação, o documento detalha uma arquitetura para criar fluxos de financiamento climático e fortalecer a economia verde na região, além de consolidar ações sustentáveis no bioma.

A proposta é resultado da colaboração de sete organizações sociais que atuam na Amazônia há mais de 30 anos, explica Gustavo Souza, diretor sênior de políticas públicas da ONG Conservação Internacional (CI). Ele ressalta a importância de integrar essas iniciativas com o High Level Climate Champions Office, buscando maior visibilidade e interação com o setor privado e financeiro.

Segundo Gustavo, a necessidade de investimentos na maior floresta tropical do mundo ganhou urgência após dados do Banco Mundial indicarem que, enquanto a Amazônia gera anualmente cerca de US$ 317 bilhões, o investimento para sua preservação ficou em apenas US$ 5,81 bilhões entre 2013 e 2022. Para manter o ecossistema saudável, a estimativa é de que os investimentos mínimos devem girar em torno de US$ 7 bilhões.

Esses recursos são cruciais para evitar o que os cientistas chamam de ponto de não retorno, onde a Amazônia corre o risco de ser transformada em savana, o que provocaria mudanças drásticas no clima e extinção de espécies. Gustavo menciona que apenas 3% dos recursos foram alocados para soluções baseadas na natureza.

“Nosso objetivo é realocar subsídios de cadeias produtivas altamente emissoras para uma economia verde e implementar tecnologias de rastreabilidade, como imagens de satélite, além de promover pagamento por serviços ambientais”, destacou Gustavo.

Uma medida proposta é a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que busca captar até US$ 5 bilhões anuais, com US$ 2 bilhões destinados à Amazônia, um valor quatro vezes maior do que o fluxo financeiro anual existente nos últimos 10 anos.

Além disso, uma Declaração Global pela Amazônia será formulada para comprometer os países da Convenção do Clima na luta contra as mudanças climáticas, destacando o papel vital dos povos indígenas e das comunidades locais como guardiões da floresta.

James Deustch, diretor executivo da Rainforest Trust, enfatizou que a primeira COP a ser realizada na Amazônia deve resultar em compromissos concretos de apoio financeiro e político, assegurando que as florestas tropicais continuem a capturar e armazenar carbono de maneira sustentável.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Leia também...

Últimas notícias