Segunda, 25 de maio de 2026

Escritores indígenas criticam consumismo e sua relação com a crise climática

Escritores indígenas criticam consumismo e sua relação com a crise climática
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A natureza é fonte de alimento, moradia e espiritualidade, além de ser inspiração para diversos gêneros literários. Autores indígenas como Daniel Munduruku e Márcia Wayna Kambeba têm desenvolvido uma literatura profundamente conectada à floresta e aos valores dos povos tradicionais.

Com compreensão aguçada dos impactos da poluição sobre ecossistemas e comunidades que estão em sintonia com o meio ambiente, esses escritores expressam sua preocupação com o futuro. Para eles, a implementação de políticas climáticas eficazes, que consigam combater o aquecimento global e o desmatamento, requer uma transformação radical nos padrões de consumo e produção.

A recente entrevista da Agência Brasil com Munduruku e Kambeba, realizada no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro, destaca suas obras, Das Coisas que Aprendi: Ensaios sobre o Bem-Viver (2014) e Saberes da Floresta (2020), que abordam aprendizados adquiridos na convivência com a natureza e a importância de um olhar coletivo sobre o mundo.

Munduruku enfatiza que a visão coletiva é um antídoto para a atual crise climática e existencial, afirmando: “Se não voltarmos a ser natureza, a tendência é não sobrevivermos“. Ele critica a abordagem ocidental do tempo linear, que prioriza a riqueza e a individualidade, em contraste com a visão indígena que valoriza o aqui e agora.

Márcia Kambeba acrescenta que a próxima COP30, que ocorrerá em Belém, deve ser um evento pautado por acordos significativos em relação à preservação do meio ambiente: “O que queremos discutir sobre o clima? Depende da conservação da natureza e da conscientização sobre os impactos do lixo e do consumo.”

Ambos os autores, apesar do pessimismo sobre os resultados da COP30, acreditam que a literatura pode ser uma força transformadora. “A literatura registra memórias e verdades que nos foram ensinas pelos nossos antigos“, afirma Kambeba, com ênfase na importância da conexão entre homem e natureza e a necessidade de compartilhar esses saberes com todos, tanto urbanos quanto rurais.

Munduruku celebra o crescimento da literatura indígena e a crescente representação de vozes indígenas, o que representa uma vitória e um caminho para a resistência e a educação das novas gerações.

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