Sábado, 18 de abril de 2026

COP15 aprova proteção reforçada para bagres gigantes e ariranhas da Amazônia

COP15 aprova proteção reforçada para bagres gigantes e ariranhas da Amazônia
Foto: Ueslei Marcelino/MMA

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, resultou na aprovação do Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e na inclusão da ariranha na Convenção de Espécies Migratórias (CMS). Essas decisões visam aumentar a cooperação internacional para proteger essas espécies ameaçadas.

A iniciativa, que visa preservar os habitats de espécies como a dourada e a piramutaba, foi liderada pelo Brasil, com a participação de países como Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela através da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

De acordo com Mariana Frias, analista de conservação da WWF-Brasil, a medida garante proteção não apenas para a biodiversidade aquática, mas também para a segurança alimentar das comunidades locais.

“Os grandes bagres, assim como os golfinhos de rio, são espécies sentinelas que dependem dos rios de livre fluxo para viajar centenas de quilômetros e cumprir seu ciclo de vida”, explica Mariana.

A estratégia inclui práticas para assegurar a proteção das espécies através de pesquisas e a integração de políticas nacionais, além de monitoramento das rotas migratórias e a promoção da pesca sustentável.

Mariana enfatiza a importância de priorizar a conservação dos ambientes aquáticos de água doce, que enfrentam ameaças como a falta de dados e atividades humanas de alto impacto, como barragens hidroelétricas.

Proteção da Ariranha

Os últimos dias de negociações da COP15 contaram com consenso sobre a inclusão de diversas espécies migratórias nos anexos da CMS. A ariranha, a maior lontra do mundo, agora faz parte dessa lista de proteção. Este mamífero semiaquático vive principalmente em regiões alagadas, como no Pantanal e na Amazônia, e tem enfrentado extinção em alguns países devido à caça predatória para o comércio de peles.

A decisão da COP15 é um marco na conservação, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou em suas redes sociais a importância dessa conquista: “Fico muito feliz com essa conquista. O alerta amplia a proteção internacional e reforça que precisamos agir, juntos, e agora, para garantir a sobrevivência da ariranha, tão importante para o equilíbrio dos nossos rios”.

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