Quarta, 03 de junho de 2026

Amazônia enfrenta crise: 40 anos de desmatamento e perda de vegetação

Amazônia enfrenta crise: 40 anos de desmatamento e perda de vegetação
© Reuters/Ueslei Marcelino

O desmatamento da Amazônia nas últimas quatro décadas revela uma situação alarmante. De acordo com uma análise dos dados históricos do MapBiomas, entre 1985 e 2024, a maior floresta tropical do mundo perdeu cerca de 52 milhões de hectares de vegetação nativa, equivalente ao tamanho da França.

Esse desmatamento representa 13% do território do bioma e, quando somado ao que já havia sido desmatado anteriormente, totaliza uma perda de 18,7% da vegetação nativa. Desse total, 15,3% foram convertidos para atividades humanas, alertando para o risco do que os cientistas chamam de ponto de não retorno. O pesquisador Bruno Ferreira enfatiza: “A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista como crítica, onde a floresta não consegue mais se sustentar”.

Conversão do Solo na Amazônia

Nos últimos 40 anos, a conversão do solo na Amazônia tem sido acelerada. As áreas verdes foram substituídas por atividades como:

  • Pecuária
  • Agricultura
  • Silvicultura de espécies exóticas
  • Mineração

Por exemplo, as pastagens cresceram de 12,3 milhões de hectares em 1985 para 56,1 milhões em 2024, enquanto a agricultura teve um aumento exponencial, passando de 180 mil para 7,9 milhões de hectares no mesmo período. A silvicultura saltou 110 vezes, de 3,2 mil hectares para 352 mil hectares.

Impacto da Soja na Amazônia

Outro dado preocupante é a produção de soja, que ocupa 74,4% da área agrícola, com 5,9 milhões de hectares em 2024. Apesar da Moratória da Soja, que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, a maior parte da soja foi cultivada em áreas já convertidas, com apenas 769 mil hectares de nova conversão florestal.

Secas e Alterações Climáticas

Conforme o estudo, 49,1 milhões de hectares de florestas foram desmatados, com 95% da vegetação removida sendo floresta. Bruno Ferreira aponta que a perda da cobertura florestal já está causando secas nas áreas úmidas da Amazônia, que registrou a perda de 2,6 milhões de hectares de superfície coberta por água.

Em 2024, a vegetação secundária representa apenas 2%, o que equivale a 6,9 milhões de hectares em regeneração, demonstrando uma leve esperança em meio ao cenário preocupante.

As consequências do desmatamento são visíveis: mapeamentos indicam que a Amazônia está experimentando um aumento significativo na seca nos últimos anos, sendo 2024 marcado como um dos anos mais críticos.

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