Domingo, 19 de abril de 2026

Comércio brasileiro atinge recorde histórico com crescimento de 0,5% em fevereiro

Comércio brasileiro atinge recorde histórico com crescimento de 0,5% em fevereiro
© Valter Campanato/Agência Brasil

As vendas no comércio cresceram 0,5% de janeiro para fevereiro, alcançando o maior nível desde o início da série histórica em janeiro de 2000. O recorde anterior havia sido registrado em outubro de 2024. Os dados foram divulgados na Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na quarta-feira (9).

Com ajuste sazonal, esse crescimento permite uma comparação adequada, afastando os efeitos de calendário. Sem o ajuste, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas em fevereiro mostraram um aumento de 1,5%. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor teve uma expansão de 3,6%.

A média móvel trimestral, que indica a tendência de venda, cresceu 0,2% com ajuste sazonal. Os dados atuais mostram o comércio 9,1% acima do nível pré-pandemia da covid-19, verificado em fevereiro de 2020.

Considerando a comparação de meses consecutivos, a alta de 0,5% representa a primeira mudança significativa, afastando-se do intervalo de estabilidade, onde os números se mostravam muito próximos de zero:

  • Outubro 2024: 0,4%
  • Novembro 2024: -0,2%
  • Dezembro 2024: -0,2%
  • Janeiro 2025: 0,2%

Grupos de Atividades

Das oito atividades pesquisadas pelo IBGE, quatro apresentaram crescimento:

  • Hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 1,1%
  • Móveis e eletrodomésticos: 0,9%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,3%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 0,1%

De acordo com Cristiano Santos, gerente da pesquisa, houve um retorno ao protagonismo dos hiper e supermercados após um período de seis meses com variações limitadas. A queda da inflação nos alimentos, de 1,06% em janeiro para 0,76% em fevereiro, contribuiu para essa recuperação nas vendas de supermercados.

As atividades que sofreram quedas foram:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria: -7,8%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -3,2%
  • Tecidos, vestuário e calçados: -0,1%
  • Combustíveis e lubrificantes: -0,1%

O segmento de livros e papelaria, segundo o gerente, enfrenta uma evasão para serviços digitais, o que está afetando as vendas físicas. O fechamento de livrarias físicas também influencia esse resultado.

No varejo ampliado, que inclui veículos, motos e materiais de construção, as vendas diminuíram 0,4% de janeiro para fevereiro, tendo uma expansão acumulada de 2,9% em 12 meses, sem ajuste sazonal.

Revisão de 2024

O IBGE também informou que uma grande empresa do setor farmacêutico revisou os dados de 2024, ajustando a expansão da atividade de 14,2% para 7,4%. Essa correção resultou em um crescimento geral do comércio inferior a 4,1%, abaixo dos 4,7% inicialmente divulgados. Apesar da queda de 0,6 pontos percentuais, o crescimento de 2024 é o maior desde 2013, que teve alta de 4,3%.

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