Segunda, 14 de setembro de 2026

Relatório do Unicef revela a alarmante exploração sexual infantil facilitada pela tecnologia

O relatório do Unicef expõe números alarmantes sobre a exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes, evidenciando o papel das tecnologias na facilitação desses crimes.

Relatório do Unicef revela a alarmante exploração sexual infantil facilitada pela tecnologia
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Um novo relatório do Unicef revela que cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes em 21 países sofreram, no último ano, algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. Dos casos, acredita-se que 9 milhões foram induzidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens de natureza sexual contra a sua vontade, e aproximadamente 4 milhões tiveram suas imagens vazadas.

O estudo mostra que aproximadamente 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdos sexuais indesejados. Os dados revelam que mais de 40% das ocorrências não foram relatadas pelas vítimas, que indicaram não saber a quem recorrer.

Plataformas digitais em foco

As redes sociais são identificadas como o principal ambiente para esses crimes, com cerca de 60% das violações ocorrendo em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp. Além disso, 14% dos incidentes ocorreram durante atividades em jogos online, refletindo um contexto que favorece relações de confiança abusivas entre os jogadores.

Quem são os agressores?

Contrariando a ideia comum de que a violência online é perpetrada por estranhos, 57% dos casos reportados envolviam conhecidos das vítimas, como familiares e amigos. Por outro lado, ainda assim 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet, evidenciando o risco de contas falsas e mensagens privadas.

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, destacou que “essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda”.

Dados preocupantes no Brasil

No Brasil, 19% das crianças e adolescentes entrevistados relataram ter sofrido esse tipo de violência, o que representa quase 3 milhões de jovens. Outro dado alarmante é que apenas menos de 1% dos casos foram denunciados. A internet foi responsável por 55,5% dos casos de abuso, seguida pelas escolas com 24,5%.

Os aplicativos de mensagens e as redes sociais foram apontados como os canais mais perigosos, totalizando 66,5%, com destaque para Instagram e WhatsApp.

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