Um estudo recente aponta que mais da metade das brasileiras, cerca de 54%, que já tiveram relacionamento com homens, relataram ter sofrido algum tipo de violência. Em contraste, somente 11% dos homens admitiram ter agredido suas parceiras ou ex-parceiras.
Esta informação faz parte da pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber, divulgada na última quarta-feira (29).
O levantamento envolveu 1.500 pessoas a partir de 16 anos, em todas as regiões do Brasil, e teve como objetivo proporcionar um panorama atualizado sobre como a sociedade vê a violência doméstica e familiar.
“A violência contra a mulher no Brasil segue em patamares alarmantes e crescentes. Em 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos, um aumento de 45% em relação ao ano anterior,”
diz Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. Ela ressalta a prevalência de agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais dentro do ambiente doméstico, além dos obstáculos que as mulheres ainda enfrentam para garantir sua proteção, mesmo após duas décadas da legislação.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é fundamental no combate à violência contra a mulher no Brasil. Contudo, 56% das mulheres ainda sentem que a sensação de impunidade é um dos maiores entraves para denunciarem as agressões, enquanto 39% apontam a lentidão da Justiça como um problema.
Adicionalmente, 77% das mulheres afirmam que muitos homens não reconhecem comportamentos abusivos e 82% acreditam que muitos se omitem na defesa de outras mulheres. A violência psicológica é a forma mais relatada pelos parceiros, atingindo 42%, seguida pela violência física, com 25%.
A pesquisa ainda revela que a Delegacia da Mulher é o canal mais conhecido, com 75% de reconhecimento. Os dados mostram que, apesar dos avanços promovidos pela legislação, a violência de gênero continua sendo um problema estrutural que necessita de ação coordenada do Estado.
Por fim, a pesquisa também evidenciou um amplo conhecimento da Lei Maria da Penha pela população, com 49% das mulheres afirmando conhecê-la bem. No entanto, 82% acreditam que interações com outros mecanismos são necessárias para enfrentar efetivamente a violência doméstica.























