Domingo, 12 de julho de 2026

Mulheres catadoras de mangaba em Aracaju lutam contra especulação imobiliária

As catadoras de mangaba em Aracaju enfrentam desafios sérios devido à especulação imobiliária, enquanto buscam proteger seu modo de vida e a biodiversidade da região.

Mulheres catadoras de mangaba em Aracaju lutam contra especulação imobiliária
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A mangaba se tornou um símbolo de resistência nas comunidades extrativistas de Sergipe, especialmente em Aracaju. Essas comunidades, que dependem da proteção de seu território, enfrentam severa pressão da especulação imobiliária, afetando principalmente a autonomia econômica de mulheres que vivem da coleta e manejo do fruto.

Maria Eliene Santos, presidente da Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper (ACCMPLL), compartilha seu desabafo: “A gente está rodeado de uma selva de pedra. Eu me sinto guardando um tesouro da humanidade”.

A associação desempenha um papel crucial, orientando a produção, preservando conhecimentos tradicionais e se conectando com o poder público. Recentemente, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, que reforça a importância do extrativismo e da proteção do meio ambiente.

Com um aporte de R$ 45 mil, a ACCMPLL realizou oficinas e estudos, fortalecendo o beneficiamento da mangaba e promovendo o turismo comunitário, com o apoio de instituições como a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a Embrapa.

5ª Festa da Colheita e Lançamento do Plano de Manejo Popular

No último evento da 5ª Festa da Colheita na Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá, o lançamento do Plano de Manejo Popular marcou a ocasião. Este plano visa regular o uso sustentável do território e garantir a proteção das mangabeiras nativas, assegurando que a tradição e a cultura da comunidade sejam mantidas em face da expansão urbana.

“O plano de manejo foi uma maneira que a gente encontrou, junto com a comunidade, de reorganizar todo mundo em torno da continuidade da luta em defesa do território”, explica Leandro Sacramento Santos.

A reserva, que inclui uma área de uso sustentável concedida pela União, é um espaço vital onde as famílias extrativistas, na sua maioria de pessoas negras, preservam a cultura do extrativismo há mais de oitenta anos. Esse apropriação cultural é fundamental para a economia local e a preservação ambiental.

Desafios e Visão Futura

O avanço da urbanização e os conflitos fundiários continuam a ameaçar o equilíbrio da comunidade. Críticas surgem sobre a tentativa da prefeitura de transformar a reserva em um parque urbano, o que, segundo as catadoras, poderia descaracterizar a unidade de conservação.

Dona Zenaide, uma das catadoras mais antigas da região, demonstra preocupações sobre o desenvolvimento das mangabeiras em áreas próximas a novos habitacionais. “A mangabeira é muito sensível, e o balanço dos carros interfere na sua produção”, afirma.

A mangaba é não apenas uma importante fonte de alimento, mas também um elemento cultural significativo. A fruta, rica em vitamina C e ligada à tradição local, precisa de proteção e reconhecimento no plano das políticas públicas para assegurar a continuidade do trabalho das catadoras.

Conforme a reportagem destaca, as catadoras não estão apenas preocupadas em proteger sua fonte de renda, mas também em preservar uma forma de vida e um conhecimento que carrega um legado cultural. A associação busca apoio de políticas públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, para expandir as oportunidades provenientes da coleta da mangaba.

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