Terça, 07 de julho de 2026

UFMG descobre antígenos promissores para vacinas contra a malária

Pesquisadoras da UFMG revelam avanços significativos na busca por uma nova vacina contra a malária, identificando antígenos que podem aumentar a eficácia das imunizações existentes.

UFMG descobre antígenos promissores para vacinas contra a malária
Foto: Divulgação/CTVacinas

Pesquisadoras do CTVacinas da UFMG publicaram na revista Nature um estudo inovador que identifica novos antígenos capazes de direcionar o desenvolvimento de vacinas contra a malária. A pesquisa mapeou alvos do parasita, abrindo novas possibilidades para a proteção contra diferentes espécies e fases da doença, um dos principais desafios enfrentados na imunologia.

O trabalho foi liderado por Camila Barbosa e Luna de Lacerda, com Caroline Junqueira como autora sênior. Esta é a primeira vez que um estudo integralmente conduzido por mulheres brasileiras é publicado na Nature, uma das revistas científicas de maior prestígio internacional.

Embora já existam vacinas aprovadas contra a malária, as disponíveis têm limitações significativas. Elas atuam principalmente na fase inicial da infecção, requerem doses de reforço e, muitas vezes, foram desenvolvidas apenas para uma espécie do parasita.

A equipe da UFMG se concentrou em identificar proteínas do Plasmodium que estimulam linfócitos T CD8+, células de defesa que ajudam a eliminar células infectadas. Para alcançar isso, utilizaram a técnica de imunopeptidômica, que permite a visualização de fragmentos de proteínas que o sistema imunológico reconhece durante a infecção.

A análise resultou na identificação de 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do Plasmodium vivax, a espécie mais comum nas Américas. Muitas dessas proteínas não haviam sido previamente exploradas como alternativas vacinais e são cruciais para a sobrevivência do parasita.

Outra descoberta importante é que uma parte significativa dos alvos identificados está presente em diversas espécies e fases do ciclo de vida do Plasmodium. De acordo com o estudo, 71% das proteínas são conservadas entre espécies e 75% são expressas em múltiplas etapas da infecção, abrangendo fases no mosquito, no fígado, no sangue e em formas dormentes associadas a recaídas.

Os resultados foram validados em amostras de pacientes infectados, bem como em primatas não humanos e modelos experimentais com camundongos. Embora a descoberta ainda não represente uma vacina pronta, ela fornece fundamentos sólidos para futuras pesquisas e o desenvolvimento de imunizantes com potencial de proteção mais abrangente contra a malária.

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