Segunda, 27 de julho de 2026

Família de Conceição dos Bugres expõe obras no Rio de Janeiro pela primeira vez

O Museu de Folclore Edison Carneiro recebe a família da célebre escultora Conceição dos Bugres, que revela suas criações em uma exposição única no Rio de Janeiro.

Família de Conceição dos Bugres expõe obras no Rio de Janeiro pela primeira vez
© Francisco Moreira da Costa/Divulgação

A escultora brasileira de origem indígena Conceição Freitas da Silva Antunes, conhecida como Conceição dos Bugres, nasceu no Rio Grande do Sul em 1914 e se destacou por suas peças entalhadas em madeira, expressando figuras indígenas denominadas bugres. Seu trabalho a consolidou como uma das maiores artesãs da Região Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso do Sul, onde suas esculturas se tornaram artefatos representativos da cultura local.

Após sua morte em 1984, seu marido Abílio Freitas da Silva e seu filho Ilton Silva continuaram seu legado. Atualmente, o neto Mariano Antunes Cabral Silva, conhecido como Mariano Neto, também se dedica a preservar a obra de sua avó, trazendo à vida suas inspirações.

Mariano, ao lado de sua mãe Sotera Sanches, outra escultora, apresenta pela primeira vez suas criações no Rio de Janeiro. A exposição intitulada “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto” acontece na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, que faz parte do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A abertura será nesta quinta-feira (9), às 17h, com a presença de Mariano Neto. A visitação ocorrerá de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h, até o dia 9 de setembro. A entrada é gratuita.

Durante a mostra, o público poderá adquirir o catálogo e as obras expostas, que serão precificadas pelo artista com base na prática do comércio justo. Apenas uma pequena porcentagem será destinada à administração da loja do museu. O projeto promove exposições a cada três meses com o mesmo propósito.

A pesquisa da mostra, realizada pela pesquisadora Flávia Klausing Gervásio, destaca a importância deste apoio contínuo à produção artesanal.

“Antes de morrer, ela teve êxito local e participou de mostras em museus, mas após sua morte, Conceição alcançou grande notoriedade. As suas obras agora estão em galerias importantes, como no Museu de Arte de São Paulo (MASP)”, disse Flávia Klausing.

O Museu de Folclore contém obras de Conceição e mantém a tradição familiar viva. A mãe de Mariano, nora da escultora, contribui com a produção de totens, esculturas focadas em rostos entalhados em madeira crua. A diversidade e a riqueza cultural da arte indígena são celebradas nesta exposição, que traz à tona o legado de Conceição dos Bugres.

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