Domingo, 26 de julho de 2026

Divórcio: Uma Revolução Silenciosa e as cobranças que Persistem sobre as Mulheres

A perspectiva sobre o divórcio tem mudado significativamente, mas as cobranças e as expectativas sociais sobre as mulheres continuam a ser desafiadoras.

Divórcio: Uma Revolução Silenciosa e as cobranças que Persistem sobre as Mulheres
Foto: Reprodução/Internet

Durante muito tempo, o divórcio foi visto como um fracasso, não apenas do casal, mas, em especial, da mulher. A ideia de que a mulher deveria sustentar o casamento a culpa pela separação ainda permeia nossa sociedade.

Essa lógica, embora menos explícita, permanece. Mulheres carregam um peso de culpa pela decisão de se separarem, enfrentando julgamentos por romperem laços que não oferecem mais respeito ou segurança, como se a permanência fosse sempre a melhor escolha.

Entretanto, ser mantida em um ambiente instável e tenso também tem seus custos, não apenas para a mulher, mas para os filhos, que muitas vezes aprendem que para haver paz é necessário silenciar suas próprias necessidades e desejos.

Recentemente, o panorama começou a mudar não apenas em termos legais, mas, crucialmente, com a mudança de atitude das mulheres. Hoje, muitas buscam autonomia e clareza sobre seus direitos. Para muitas, o divórcio passou a ser visto como um ato de proteção e uma escolha por uma vida mais saudável.

A legislação avançou, garantindo mais direitos, mas a prática ainda desvia da teoria. Muitas mulheres continuam a lutar para receber pensão, enfrentando sobrecargas financeiras e prolongados conflitos.

Mais do que uma mudança na lei, é necessário uma mudança de comportamento social. A sociedade impõe que a mulher sustente o casamento, ao mesmo tempo que a critica por decidir sair. Espera-se que aguente, mas há reprovação quando rompe. Essa é uma clara desigualdade.

Divorciar não é só terminar um vínculo; é romper com expectativas e obrigações que não servem mais. Essa decisão, embora difícil, ensina a muitos que o respeito não é opcional e que o amor não deve envolver dor. Permanecer casada a qualquer custo não é uma virtude.

Recomeçar é repleto de medos e inseguranças, mas representa a busca por algo que muitas mulheres não tinham: paz.

Assim, enquanto o divórcio possa ter mudado no papel, a necessidade de uma mudança na percepção social sobre essa questão permanece urgente. O problema real é que sair de um relacionamento ainda é visto como um fracasso feminino, o que mantém muitas mulheres presas ao possível sofrimento.

Sobre a Colunista: Juliana Drummond é advogada com mais de 20 anos de experiência, especialista em Direitos das Mulheres, pós-graduada em Advocacia Feminista e com atuação na OAB.

O conteúdo aqui expresso é de responsabilidade da colunista e não reflete a opinião do portal DeFato Online. Leia mais aqui.

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