Domingo, 17 de maio de 2026

Filme revela segredos da repressão durante a ditadura militar brasileira

Filme revela segredos da repressão durante a ditadura militar brasileira
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Documentos recentes do arquivo do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, um dos líderes de inteligência do Exército na ditadura militar, trazem à tona novas informações sobre como funcionava a estrutura clandestina de repressão no Brasil. O material, que dá suporte ao documentário Bandidos de Farda, estreia neste domingo (17) no canal do ICL Notícias.

Coordenada pela jornalista Juliana Dal Piva, a investigação reúne relatórios secretos, manuais de interrogatório e tortura, além de documentos que confirmam a existência de uma política sistemática de perseguições e desaparecimentos forçados durante o regime militar.

Dentre os registros estão detalhes de cursos de interrogatório e tortura ministrados por oficiais brasileiros no exterior, relatórios de espionagem política da década de 1980 e registros de vítimas ainda não identificadas oficialmente pelo Estado brasileiro.

Um dos focos da investigação é a atuação do coronel Cyro Etchegoyen, chefe da contrainformação do Centro de Informações do Exército (CIE) entre 1969 e 1974. Pesquisadores da ditadura militar apontam que ele esteve envolvido na profissionalização das práticas repressivas utilizadas pelos órgãos de inteligência e foi um dos responsáveis pela criação da chamada “Casa da Morte”, um centro clandestino de tortura em Petrópolis, Rio de Janeiro.

O documentário examina como essa estrutura não consistia apenas de militares, mas também de agentes clandestinos.

A investigação, que teve início como uma série de reportagens no ICL Notícias, já ganhou atenção internacional. O relator especial da ONU para Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição, Bernard Duhaime, destacou que as revelações pedem a reabertura de investigações sobre crimes cometidos por militares brasileiros.

O título Bandidos de Farda reflete a constatação de Juliana: “Os documentos evidenciam uma estrutura definida para cometer crimes de Estado. Não eram apenas militares seguindo ordens; havia um aparato destinado a sequestrar, torturar e eliminar opositores. Esses agentes foram preparados especificamente para atuar como assassinos clandestinos”.

O documentário também faz menção à violência sexual perpetrada por agentes da repressão, incluindo casos de estupro, revelando um método de terror e humilhação ao longo do regime.

A equipe de Juliana, que já possui quinze anos de experiência na abordagem da ditadura militar, acredita que os documentos disponíveis podem abrir novas investigações históricas e jurídicas sobre crimes ainda não completamente esclarecidos.

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