A valorização dos profissionais da educação voltou a ser discutida em Minas Gerais durante audiência sobre o cumprimento das metas do Plano Estadual de Educação.
O debate reuniu representantes de universidades, sindicatos, entidades da área e do governo estadual, focando na formação dos professores e nas condições de trabalho na rede pública.
Entre os principais pontos levantados estão a remuneração da categoria, o número de contratos temporários e a dificuldade em garantir que todos os docentes atuem em áreas compatíveis com sua formação. Também houve questionamentos sobre a destinação de recursos públicos para contratos com empresas privadas.
Uma das metas do Plano Estadual de Educação prevê que todos os professores da rede pública tenham formação superior adequada à disciplina que lecionam. Entretanto, dados apresentados por entidades indicam que o estado ainda não alcançou esse objetivo, com professores do ensino fundamental e médio tendo formação adequada variando entre 70% e 76%.
O debate ocorre em meio a mudanças na Secretaria de Estado de Educação, após a exoneração do secretário Rossieli Soares, que está envolvido em uma investigação. Gustavo Braga assumiu a posição.
Outro dado relevante mostra que, embora a maioria dos docentes da educação básica possua graduação, a presença de mestres e doutores ainda é baixa, com média de apenas 3%. A falta de incentivo financeiro é apontada como uma das razões para o desinteresse pela pós-graduação.
A remuneração também foi tratada como entrave para a valorização profissional, com participantes da audiência afirmando que, em anos anteriores, Minas pagava acima do piso nacional, mas que a política salarial adotada nos últimos anos reduziu a margem de valorização da categoria.
As contratações temporárias foram outro ponto de crítica. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), mais da metade dos profissionais do magistério atua por contrato, com proporção ainda maior entre os demais trabalhadores.
O governo estadual informou que está prevista a homologação do concurso público de 2025, com possibilidade de nomeação de mais de 90 mil aprovados, uma resposta à demanda por recomposição do quadro de servidores.
Outra questão levantada foi a cobrança sobre contratos da rede estadual com empresas para fornecimento de apostilas e cursos, com representantes questionando a transparência desses processos, a necessidade dos materiais e o aproveitamento dos conteúdos nas escolas.
O acompanhamento do Plano Estadual de Educação segue até 7 de maio, com reuniões que buscam verificar o cumprimento das metas até 2027 e identificar desafios para a avaliação dos resultados.
























