Domingo, 24 de maio de 2026

Gilmar Mendes e o impacto do pacto de masculinidade no futebol brasileiro

Gilmar Mendes e o impacto do pacto de masculinidade no futebol brasileiro
Foto: Raul Baretta/Santos

Sem que ninguém solicitasse sua opinião, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, utilizou as redes sociais na segunda-feira (23) para celebrar o retorno de Cuca ao Santos.

Mais do que uma opinião controversa, o tweet abaixo é uma clara demonstração do pacto de masculinidade que permeia o futebol brasileiro:

Citação: “O retorno de Cuca ao Santos marca o reencontro com um profissional que construiu uma trajetória marcante no clube. Em sua quarta passagem como treinador do Peixe (2008, 2018 e 2020-2021) e também como atleta que defendeu a camisa alvinegra em 1993, sua volta nos enche de…” Fonte.

Esse pacto aceita atos e comentários machistas e homofóbicos com extrema naturalidade. Em outros contextos sociais, um indivíduo envolvido em um caso de estupro seria alvo de severas críticas e repulsa. No entanto, no contexto do futebol, isso parece não ocorrer, e Cuca é um exemplo notório.

Desde que a situação com Berna ganhou destaque na mídia, o treinador tem sido protegido por boa parte da comunidade futebolística e continua a receber prestígio. Surpreendentemente, nem seus resultados insatisfatórios recentes nem a sua clara defasagem em comparação a outros técnicos o mantiveram sem trabalho. Ao invés de prejudicá-lo, o caso parece ter elevado ainda mais sua moral.

É angustiante perceber que um esporte que se mostra conivente com estupradores e agressores de mulheres fecha as portas para homossexuais. Quantos jogadores, ao longo da história do futebol, tiveram a coragem de Richarlyson em se assumirem bissexuais? E quantos podem se declarar abertamente gays? A resposta é lamentavelmente curta.

Entretanto, não devemos julgá-los. Na verdade, eles não têm obrigação de se expor publicamente. Em um mundo ideal, esse tipo de escolha deveria ser feita com tranquilidade e espontaneidade, e não sufocada por pressões sociais.

Essa perspectiva não mudará enquanto Gilmar Mendes, Cuca e a cultura do futebol permanecerem atrelados a esse pacto masculino.

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