Terça, 02 de junho de 2026

Um mês após as chuvas em Minas Gerais: a luta pela reconstrução

Um mês após as chuvas em Minas Gerais: a luta pela reconstrução
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cerca de um mês se passou desde que as intensas chuvas na Zona da Mata Mineira devastaram a vida de milhares de famílias, resultando em 73 mortes, sendo 65 em Juiz de Fora e 8 em Ubá. As enxurradas e deslizamentos ocorreram notavelmente na noite de 23 de fevereiro, deixando um rastro de destruição por várias cidades, incluindo Matias Barbosa.

A triste história de Claudia da Silva, de 71 anos, é emblemática. Moradora do Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, ela perdeu 20 membros da família devido ao desastre. Este bairro, que abriga a população de baixa renda, registrou 22 fatalities.

“Eu tive que procurar tratamento psicológico. É muita coisa para a minha cabeça”, desabafou Claudia, ao lembrar que seu sobrinho de 16 anos, sobrevivente, está em estado crítico no CTI.

A casa de Claudia foi interditada pela Defesa Civil, mas sua resistência em deixar o local reflete um sentimento de abandono e desespero. “Estamos sem apoio, não significamos nada para eles, só durante as eleições”, lamentou.

Desafios e Superação

Maria da Conceição Couto Almeida, também do Jardim Burnier, alterna entre a casa da filha e seu lar interditado, lutando contra os efeitos da ansiedade e complicações de saúde. Somente doações têm chegado, e a assistencialista lamenta a falta de ajuda financeira e habitacional.

Nilton Angelo de Gusmão, um serralheiro que perdeu contratos por conta das chuvas, vive dias difíceis com contas acumuladas. “Precisamos de ajuda, de algum auxílio financeiro para conseguirmos seguir em frente”, disse ele.

Resposta das Autoridades

A Prefeitura de Juiz de Fora anunciou que o auxílio calamidade municipal começará a ser creditado nas contas das famílias afetadas, além de já ter identificado mais de 6.690 ocorrências relacionadas ao desastre. Com 763,8 mm de chuva em fevereiro, o município registrou o mês mais chuvoso da sua história.

No total, mais de 8,5 mil pessoas ficaram desabrigadas. A prefeitura alega que tem investido em obras de contenção e redes de drenagem, mas muitos moradores ainda esperam por auxílio.

O governo estadual e federal mencionaram suas iniciativas para fornecer apoio e reconstruir as comunidades atingidas. Entre as medidas estão o Auxílio Reconstrução e outros programas habitacionais, mas muitos moradores ainda buscam respostas e soluções imediatas.

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