Sábado, 01 de agosto de 2026

Mudança para turno fixo na Usina de Monlevade pode resultar em perdas salariais de até 34%

A implementação do turno fixo na ArcelorMittal de João Monlevade, agendada para amanhã, pode gerar perdas salariais significativas para os trabalhadores que atuam em regime de revezamento.

Mudança para turno fixo na Usina de Monlevade pode resultar em perdas salariais de até 34%
Arquivo JAN

A mudança para turno fixo na unidade da ArcelorMittal em João Monlevade, programada para amanhã (10), pode resultar em uma redução salarial que chega a 34% para os empregados que atuam atualmente em regime de revezamento. As informações foram divulgadas pela empresa em um boletim aos funcionários.

Segundo o comunicado, o término do atual acordo de turnos eliminará alguns benefícios disponíveis no modelo de turnos rotativos. Estão entre esses benefícios o acréscimo de 9,5% sobre o salário, um adicional pessoal de 11,7% para parte dos funcionários, além da folga de sete dias ao longo da vigência do acordo.

Além disso, a proposta de turno fixo retira a manutenção de adicionais em convocações administrativas por até 90 dias e a proibição de convocação para treinamentos nos três últimos dias do período das 7h às 15h.

Impacto na remuneração

Conforme os cálculos apresentados pela empresa, o impacto negativo varia conforme o horário do turno fixo e o salário-base do empregado. No turno das 7h às 15h, classificado como o de maior impacto, as perdas podem chegar a 34,4% em comparação ao modelo de revezamento. Por exemplo, um trabalhador com um salário-base de R$ 5.082,96 pode sofrer uma redução de cerca de R$ 1.747,16.

No turno das 15h às 23h, a perda pode alcançar 27,6%, representando uma diminuição de aproximadamente R$ 1.477,04. Já no turno noturno, entre 23h e 7h, a empresa aponta que pode haver um pequeno acréscimo na remuneração devido aos adicionais noturnos fixos, com um aumento estimado de 0,78%, equivalente a R$ 53,66.

Adequações e impasse no acordo

De acordo com o que foi apurado, as adequações das turmas para o novo turno fixo já estão em andamento e os horários foram definidos no início do mês, após consultas diretas a trabalhadores de setores com menor número de funcionários. A empresa informou que poderá ajustar e redistribuir trabalhadores nas semanas seguintes ao início da mudança.

Em relação ao acordo, a ArcelorMittal Monlevade destacou que a implementação do turno fixo é uma medida necessária para atender às demandas operacionais e se adequar à legislação, considerando a ausência de um acordo de turno válido. A companhia apresentou uma proposta para a renovação do acordo de revezamento, buscando manter os benefícios existentes, mas a proposta não foi aprovada devido à deliberação em assembleia realizada pelos trabalhadores.

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