Sexta, 30 de outubro de 2026

Janeiro registra 4.347 focos de calor, dobrando a média mensal

Janeiro de 2026 apresenta um número alarmante de focos de calor no Brasil, com registros muito acima da média mensal histórica, indicando uma crescente preocupação ambiental.

Janeiro registra 4.347 focos de calor, dobrando a média mensal
© Joédson Alves/Agência Brasil

O painel de monitoramento de focos de calor do Programa Queimadas, gerido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revelou um janeiro atípico em 2026, com 4.347 focos ativos detectados até a quinta-feira (29), um número que corresponde ao dobro da média para o mês e um aumento de 46% em comparação a 2025.

Esse resultado é o sexto maior desde o início das medições em 1999, e o segundo maior da década, superado apenas pelo registro de 2024, que contabilizou 4.555 focos.

O estado do Pará se destacou com 985 focos, em função de áreas consideradas em seca, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), atualizados em dezembro.

A elevada concentração de focos está atrelada a um cenário de seca severa no Nordeste, onde o Maranhão (945), Ceará (466) e Piauí (229) registram os maiores números na região, além de precipitações abaixo da média na Região Norte.

No Maranhão, a situação é preocupante, sendo este o ano com maior número de focos desde o início da coleta de dados, superando o máximo de 712 focos registrado em 2019.

A contagem de focos de calor é um indicador importante para monitoramento e políticas de combate, embora não seja a única métrica para avaliar queimadas. Em anos em que janeiro apresentou altas contagens, apenas 2016 teve um resultado anual abaixo da média nacional, que é de 200 mil registros anuais.

Declarações dos Estados

A reportagem entrou em contato com as assessorias dos estados mais afetados. No Pará, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) comentou que é necessário cautela na interpretação de dados de curto prazo, que podem não refletir tendências anuais completas. A Semas afirmou que continuará a monitorar os registros e a implementar ações conforme necessário.

Já a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará ressaltou que o número elevado de focos em janeiro está relacionado ao cenário já crítico de dezembro de 2025, que foi o mês com o maior índice de focos em 20 anos.

O Governo do Maranhão intensificou ações de prevenção, como campanhas educativas e doações de equipamentos para o combate de incêndios, além de uma resposta rápida a ocorrências. A secretaria local aponta que a severidade da estiagem contribui para o aumento dos focos, apesar das iniciativas de prevenção.

Medidas também incluirão o uso de drones para identificar áreas críticas e o foco em apoiar comunidades rurais e a preservação da fauna local.

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