Segunda, 26 de janeiro de 2026

A Revolução Sindical em Itabira: A Trajetória de Saulo Braga

A Revolução Sindical em Itabira: A Trajetória de Saulo Braga
Foto: Reprodução

Saulo Queiroz Braga ingressou no movimento sindical de Itabira com um objetivo claro: ser o presidente do Metabase. Planejou sua candidatura formando uma chapa e lançou uma oposição contundente aos atuais dirigentes da entidade. Sua principal arma era uma retórica provocativa. Ele criticava: “José Eustáquio e sua turma não passam de irresponsáveis pelegos”, enquanto o adversário Assis Ferreira retrucava: “Saulo é um moleque à procura de holofotes”. Esta troca de ofensas intensificou o clima de tensão na disputa.

Em 1982, ano emblemático para a política nacional, Saulo se aventurou na política partidária em um contexto de transição: a ditadura militar chegava ao fim e as eleições foram quase gerais, excluindo apenas a presidência e as capitais. A novidade foi a disputa para governadores: o Partido dos Trabalhadores (PT) debutava nas eleições.

A disputa em Itabira foi marcada por sua intensidade e incluiu até mesmo um ‘sequestro’ de um candidato a prefeito. O embate foi polarizado entre PMDB e PDS, com o PMDB lançando Virgílio Gazire e Pedro Drummond e o PDS apresentando José de Grisolia, José Vital e Wilson Gontijo. Saulo apoiou fervorosamente a candidatura de Gazire, além de promover Carlos Cruz e Jairo Magalhães Alves, que também disputavam cargos eletivos.

Iniciando suas atividades sindicais, Saulo organizou reuniões de conscientização em diversos bairros, atraindo cada vez mais participantes. Sua fala se enriqueceu com estudos sobre as origens e evolução do movimento sindical. Possuía obras traduzidas por um amigo e utilizou referências de autores internacionais. Entre os participantes, nomes como Milton Bueno, José Antônio Lopes e Antônio Carlos Almendagna (o Tuniquinho) se destacavam, assim como funcionárias da CVRD que debatiam com entusiasmo.

No entanto, Saulo fez uma mudança drástica em sua retórica, passando a criticar a direção da mineradora, com ataques diretos a Eliezer Batista, o icônico presidente da empresa, e a Juarez César da Fonseca, o superintendente das Minas. No próximo capítulo, iremos revelar o preço que ele pagou por sua audácia e coragem.

Leia a primeira parte dessa história: Saulo Queiroz Braga: O jovem que mudou a história do sindicalismo itabirano e morreu tragicamente.

Sobre o colunista: Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online. O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal.

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