Aos 66 anos, a escritora e líder comunitária Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha, lança seu primeiro livro: Memórias do Meu Quilombo (Editora Pallas). A obra reúne 16 narrativas curtas e memórias em primeira pessoa, que refletem suas vivências no Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira.
O lançamento acontecerá nesta quinta-feira (30), às 19h, durante o 5.º Festival Literário Internacional de Itabira (Fli Itabira), em uma mesa especial com Fabiano Piúba, secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, e a escritora Conceição Evaristo, que assina o prefácio do livro. A mediação será realizada pelo escritor Marcelino Freire, com uma sessão de autógrafos ao final do evento.
O livro é resultado de um encontro na 3ª edição do Fli Itabira, em novembro de 2023, quando Conceição Evaristo e Fabiano Piúba visitaram o Quilombo Morro Santo Antônio. Durante esse encontro, Dona Rosinha compartilhou lembranças guardadas por décadas, histórias de resistência, dor e afeto. A profundidade de sua narrativa inspirou o projeto que, agora, se transforma em livro.
Memórias do Meu Quilombo traz relatos permeados por saudades, fome, racismo e fé, mas também por beleza e solidariedade. Esse conjunto de páginas preserva a ancestralidade e reafirma o direito à literatura e à história como formas de cidadania. Conceição Evaristo destaca: ‘Se pequeno é em sua materialidade, grande, imenso, é o seu significado’.
A trajetória de Dona Rosinha é marcada por luta e dedicação à sua comunidade. Nascida em 1959, ela estudou até a oitava série e já trabalhou como faxineira, balconista e vendedora. Atuou como presidente da Associação do Quilombo Morro Santo Antônio e da Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira, além de conselheira da sociedade civil por mais de 12 anos, integrando ainda a Rede Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.
Desde a juventude, Dona Rosinha encontrou na escritura, em pequenos cadernos e cartas, uma forma de registrar o cotidiano e as memórias de seu povo. Com Memórias do Meu Quilombo, essas palavras finalmente ganham protagonismo, ao mesmo tempo que preservam a ancestralidade e reafirmam o direito à literatura e à história.

























