Sábado, 27 de junho de 2026

Amazônia pode perder 2,94 bilhões de toneladas de carbono até 2030

A captura de carbono pela Amazônia está em risco, segundo um estudo da RAISG que indica potenciais perdas significativas devido ao desmatamento.

Amazônia pode perder 2,94 bilhões de toneladas de carbono até 2030
Foto: Reprodução/Valter Campanato/Agência Brasil

Um estudo da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) revelou que a Amazônia deixará de capturar 2,94 bilhões de toneladas de carbono até 2030, caso os governos da região não implementem medidas eficazes de controle sobre o desmatamento. Se as atuais políticas ambientais forem mantidas, a perda já pode chegar a 1,113 bilhões de toneladas em apenas cinco anos.

A análise considera os países da Amazônia, mas enfoca Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. A RAISG destaca que a proteção das florestas, especialmente em terras indígenas e áreas protegidas, é crucial para mitigar as mudanças climáticas. Em 2023, essas áreas garantiram a captura de 61% do total de carbono florestal na região.

“Estamos diante de uma contagem regressiva ambiental: se as políticas de proteção não forem fortalecidas, a Amazônia deixará de ser um aliado climático e se tornará uma fonte de crise”, afirma Renzo Piana, diretor do Instituto do Bem Comum.

Entre as recomendações do estudo estão a priorização de políticas que integrem saberes locais, o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e a eliminação do desmatamento e atividades ilegais.

Histórico de Devastação

Desde 2000, a Amazônia já deixou de capturar cerca de 5,7 bilhões de toneladas de carbono, uma diminuição de 6,3%. Mais de 88 milhões de hectares foram convertidos em áreas agrícolas, urbanas e mineradoras entre 1985 e 2023, o que não só fragmentou a floresta, mas também comprometeu a saúde das árvores restantes.

Cenários Futuros

O estudo projetou três cenários para a captura de carbono. No pior deles, se o desmatamento continuar sem controle, a Amazônia capturará 82,257 bilhões de toneladas de carbono em 2030, uma redução de 3,5% em relação a 2023. Se as políticas atuais forem mantidas, a perda será de 1,113 bilhão de toneladas, significando uma redução de 2%.

“Cada tonelada de carbono retida nas florestas é um investimento no futuro do planeta”, ressalta Mireya Bravo Frey, responsável pelo Projeto Ciência e Saber Indígena pela Amazônia.

O que é a Captura de Carbono?

Durante a fotossíntese, as árvores capturam e armazenam carbono, ajudando a regular os níveis de CO₂ na atmosfera, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Com menos florestas, há uma maior emissão de poluentes e um aumento na frequência de eventos climáticos extremos.

O estudo sublinha a necessidade urgente de proteção das florestas e a importância dos saberes indígenas e locais na construção de um futuro sustentável.

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