Entre os dias 26 e 27 de setembro, Itabira receberá o artista visual e grafiteiro Sirlan Monteiro, conhecido como Primo, de Belo Horizonte, para a oficina ‘Grafite na Veia’, dentro do Festival Fala Quilombo. A proposta é transformar a rua em uma tela, trazendo cor, crítica e beleza da quebrada.
Primo, natural de Contagem, começou sua trajetória artística na infância, copiando personagens de desenhos animados. O apreço pela cultura hip hop estabeleceu a ligação ideal com o grafite. Ele relata: “No meu bairro, havia essa cultura de escrita urbana, tanto de pichação quanto de grafite. Comecei a expressar meus desenhos nos muros para ganhar relevância no grupo social em que estava inserido”.
Na cidade de Itabira, o artista já teve experiências em comércios locais, mas destaca que a cidade vai além das paredes: “Aqui, fiz amigos e sempre sou muito bem recebido. Itabira tem uma poética própria, uma relação especial com a arte. Sinto que meu trabalho é valorizado, e cada vez que volto, é como reencontrar um lugar que me inspira”. Ele estima que esta será a quinta ou sexta vez que participa de projetos na cidade.
“A RUA VIRA UM LUGAR DE DIÁLOGO, DE EXPERIÊNCIA, E ISSO É O QUE MAIS ME MOTIVA”, AFIRMA PRIMO
Primo descreve seu trabalho como espontâneo, surgindo naturalmente pelas ruas. Com o reconhecimento, surgiram convites para eventos e exposições, como o Muraliza, Telas Urbanas, e o Mutirão de Grafite Nacional (MOF) no Rio de Janeiro.
Quando decidiu levar o grafite e as artes a sério, Primo aprofundou seus estudos e fez licenciatura em Artes na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Ele descobriu o poder transformador da educação: “Trabalhar com crianças tem sido muito gratificante. É muito satisfatório vê-las se desenvolvendo, gostando de arte, experimentando materiais e se expressando através do desenho e pintura. Isso me deixa muito feliz”, conclui o artista.
Além da técnica e da cor, Primo vê o grafite como uma forma de expressão social e cultural. A oficina Grafite na Veia propõe aos participantes transformar o espaço urbano em tela, explorando criatividade, crítica e identidade local. Ele reforça: “A rua vira um lugar de diálogo, de experiência, e isso é o que mais me motiva”.
























