Segunda, 27 de julho de 2026

Queda nas exportações de alimentos em agosto é impactada por tarifas dos EUA

As exportações de alimentos brasileiras sofreram uma considerável redução em agosto, motivada principalmente pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, refletindo desafios no mercado internacional.

Queda nas exportações de alimentos em agosto é impactada por tarifas dos EUA
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) revelou uma queda de US$ 300 milhões nas exportações de alimentos industrializados em agosto, representando 4,8% a menos em comparação a julho. As exportações totais somaram US$ 5,9 bilhões no mês, sendo US$ 332,7 milhões destinados aos Estados Unidos, o que significa uma diminuição de 27,7% em relação ao mês anterior e 19,9% na comparação com agosto de 2024.

Esses resultados são reflexo do aumento das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Há também a questão da antecipação dos embarques em julho, antes da nova taxação entrar em vigor, que contribuiu para a queda.

Os produtos mais afetados dessa nova tarifa foram: açúcares (-69,5% em agosto comparado a julho), proteínas animais (-45,8%) e preparações alimentícias (-37,5%).

João Dornellas, presidente executivo da ABIA, ressaltou que o desempenho das exportações evidencia uma clara inflexão, com o crescimento de julho sendo seguido por uma correção em agosto, ao mesmo tempo em que a China reforçou sua posição como um mercado importante. Ele argumentou que o Brasil precisa diversificar seus parceiros comerciais e melhorar sua capacidade de negociação.

Por outro lado, o México apresentou um aumento notável nas compras, totalizando US$ 221,15 milhões, o que representa 3,8% do total das exportações brasileiras, principalmente em proteínas animais. A alta de compras em relação aos EUA sugere um redirecionamento nas rotas comerciais.

O impacto mais significativo é esperado no acumulado do ano, com estimativas apontando uma queda de 80% nas vendas para os EUA entre agosto e dezembro, o que pode resultar em uma perda acumulada de até US$ 1,351 bilhão.

Exportações para a China

A China, o maior comprador de alimentos industrializados, adquiriu US$ 1,32 bilhão em agosto, refletindo um aumento de 10,9% em relação a julho e de 51% em comparação a agosto de 2024.

Os países da Liga Árabe reduziram suas compras em 5,2% e a União Europeia importou US$ 657 milhões, uma diminuição de 14,8% sobre julho e 24,6% na comparação com agosto do ano anterior.

Seguindo em 2025, as exportações totais de janeiro a julho foram de US$ 36,44 bilhões, mostrando uma redução de 0,3% comparado ao mesmo período do ano anterior.

Setores em Destaque

O setor de suco de laranja, que não foi afetado pela nova tarifa, registrou um crescimento de 6,8% em agosto, embora tenha sofrido queda de 11% em comparação a julho.

Mercado de Trabalho

Em julho, a indústria de alimentos no Brasil contou com 2,114 milhões de postos de trabalho formais, representando um crescimento de 3,3% no número de vagas comparado ao ano anterior.

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