Quarta, 22 de abril de 2026

Europeus criticam novo acordo comercial com os EUA

Europeus criticam novo acordo comercial com os EUA
Ursula von der Leyen fechou o acordo com Trump – Foto: Reprodução/Twitter/@eucommission

Um novo acordo entre Estados Unidos e a União Europeia (UE), que estabelece tarifas de 15% ao invés de 30% sobre alguns produtos europeus exportados para o mercado americano, gerou reações polarizadas. O ex-presidente Donald Trump se referiu ao pacto como ‘o maior acordo já fechado em matéria de comércio’. No entanto, economistas e líderes políticos na Europa lamentam o acordo, considerando-o um retrocesso significativo.

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, expressou sua insatisfação ao afirmar que é “um dia sombrio para a Europa, que aceita submeter-se a esse acordo comercial”. Ele destacou que uma aliança de nações livres não deveria se resignar à submissão. Sua crítica foi publicada na plataforma X.

Já Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria e apoiador de Trump, fez um comentário ácido sobre a presidente da Comissão Europeia. Orban disse: “Donald Trump não negociou com Ursula von der Leyen? Ele a devorou no café da manhã”, classificando o resultado das negociações como inferior ao que foi acordado com o Reino Unido em maio.

O tratado, celebrado em Turnberry, na Escócia, foi resultado de uma breve conversa entre Trump e Ursula, mas os líderes europeus sentem que cederam uma vitória política a Trump para evitar uma guerra comercial. Segundo o Le Monde, a União Europeia poderia ter negociado melhores condições no pacto.

Thierry Mayer, economista da Universidade Sciences Po de Paris, afirmou que um acordo mais vantajoso era esperado, já que a administração Trump deseja uma tarifa mínima de 10%, enquanto a UE aceitou 15%, que é maior do que os 10% que o Reino Unido obteve para a maioria dos seus produtos. Embora alguns setores sejam afetados, o impacto geral pode ser limitado, pois a maior parte do comércio da UE ocorre internamente.

Eric Dor, outro economista, descreveu o pacto como “extremamente negativo” para os europeus, apontando que as tarifas americanas, que eram em média de 4,8%, aumentaram para 15%, mais que triplicando. Ele adverte que isso pode levar à transferência de fábricas europeias para os EUA, enquanto os produtos americanos poderão entrar na Europa sem tarifas.

Por outro lado, Maros Sefcovic, comissário europeu de Comércio, defendeu o acordo, afirmando que “a estabilidade é preferível à imprevisibilidade total”, um ponto de vista compartilhado por Bart de Wever, primeiro-ministro da Bélgica, que considerou o momento como um “alívio, mas não uma comemoração”. O chanceler alemão, Friedrich Merz, fez uma declaração resignada, apontando que a redução das tarifas no setor automotivo de 27,5% para 15% foi um ganho importante.

Por fim, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que celebrará a estabilidade do pacto, mas irá aguardar mais detalhes antes de expressar uma opinião definitiva. O ministro francês de Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, criticou o acordo por ser “desequilibrado”, acusando Washington de “coerção econômica”.

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