Terça, 21 de abril de 2026

Governo de MG suspende assembleias para implementação de escolas cívico-militares

Governo de MG suspende assembleias para implementação de escolas cívico-militares
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (14) que foi suspensa a consulta às comunidades escolares sobre a adesão ao modelo de escolas cívico-militares.

Embora o Sind-UTE tenha criticado a proposta e tenha ajuizado uma ação contra ela, Zema justificou a decisão alegando que a suspensão das assembleias se deve ao período de férias escolares. Ele explicou: “Chegamos à conclusão de que o prazo ficou exíguo, está coincidindo com as férias. Muitas famílias já tinham programado viagens e não conseguiram participar. Queremos fazer tudo com o maior critério possível, então optamos por adiar as assembleias que vão escutar pais, alunos e toda a comunidade escolar”.

O secretário de Estado de Educação, Igor de Alvarenga, também mencionou pontos importantes sobre o projeto. “No dia 1 de agosto, os alunos e professores estarão de volta e, com isso, terão novas orientações para a retomada do processo de escuta. Todas as comunidades escolares que realizaram as assembleias antes desse período serão respeitadas. Vale lembrar que esse é um processo democrático, onde escutamos professores, alunos e pais”, informou.

ASSEMBLEIAS

As assembleias tiveram início no fim de junho, com previsão para concluir a consulta em 728 unidades de ensino até o dia 18 de julho. Em João Monlevade, três das quatro escolas cotadas para se tornarem cívico-militares já realizaram as escutas, com a Escola Estadual Dr. Geraldo Parreiras, a Escola Estadual Alberto Pereira Lima e a Escola Estadual Manoel Loureiro optando pelo sim. A única escola que ainda não fez a consulta é a Luis Prisco de Braga.

Com a decisão do governo, esse processo será retomado após o período de férias. No entanto, não há uma data definida para a reabertura das assembleias. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação (SEE), a suspensão temporária não afetará as assembleias já realizadas nem as decisões já tomadas. Novas diretrizes serão comunicadas em breve.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

A Câmara Municipal também realiza nesta segunda-feira (14) uma audiência pública para discutir o assunto, atendendo a um pedido da vereadora Maria do Sagrado (PT).

O projeto tem gerado opiniões divididas em todo o estado. O Sindi-Ute expressa preocupação: “O sindicato acompanha, com preocupação, os impactos desse modelo em outros estados e entende que a imposição desse tipo de estrutura coloca em risco não apenas a organização pedagógica das escolas, mas também os direitos de estudantes, profissionais da educação e das próprias comunidades”.

Por fim, o sindicato defende que a política educacional do Estado seja construída com a participação efetiva da comunidade escolar, promovendo transparência, legalidade e evidências pedagógicas, e não discursos autoritários. A educação pública precisa de valorização profissional, investimento, estrutura, escuta e diálogo”, finaliza.

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