A ausência de um governo efetivo se traduz em uma mera performance política, onde a velha batalha de classes foi reintegrada sob a nova etiqueta de “taxação BBB” — Bilionários, Bancos e Bets. Essa estratégia parece mais uma fábula fiscal apropriada para um cenário cínico. A narrativa elaborada apresenta ricos como vilões e pobres como virtuosos, e é apresentada como justiça fiscal, embora surja de um desespero governamental.
Sem propostas concretas, o governo novamente cria inimigos. A retórica substitui a política genuína, enquanto o governo se apresenta como um Robin Hood da retórica, protegendo os interesses de seus aliados. A proposta, que pode chegar ao STF à procura de um habeas corpus para a taxação, ignora a realidade de um Estado ineficiente e caro.
Nesta justiça fiscal superficial, o lucro presumido é tratado como crime e as empresas médias são vistas como ameaça. O foco é na arrecadação a qualquer custo, enquanto os servidores públicos e aliados permanecem intocáveis. Apesar do aumento na arrecadação, o gasto se torna um vício que se justifica com mentiras, e a imprensa acaba colaborando, fazendo de releases notícias, enquanto colunistas confundem análise com militância.
A crítica aos gastos se transforma em pecado progressista, e questionar o desequilíbrio fiscal é visto como defesa dos ricos. A reportagem cede espaço a um rodízio de porta-vozes e a pressão, acrescentada ao cinismo da sociedade, acaba moldando a narrativa.
A inflação persiste, e com a confiança em declínio, o Banco Central, sob a presidência de Gabriel Galípolo, se torna um alvo de críticas. A sociedade envelhece, mas o cinismo não. Brasília vive de narrativas, e o jornalismo, seguindo esse caminho, enfrenta a indiferença.























